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Construção civil: setor reage a aumentos de insumos e divulga manifesto conjunto

O Sinduscon de Balneário Camboriú e Camboriú, em parceria com outras quatro entidades de classe, emitiu manifesto expressando preocupação frente a aumentos nos preços dos insumos da construção civil. O setor foi surpreendido recentemente com comunicados de reajustes significativos, sendo apresentado como base o cenário econômico e possíveis elevações de custos logísticos e matérias-primas.

No manifesto, as entidades apontam que o anúncio de reajustes nos insumos, com percentuais expressivos e previsão de aplicação imediata, é visto pelo setor como um movimento precipitado, baseado mais em projeções do que em aumentos efetivos de custo, semelhante ao observado durante a pandemia, quando preços subiram sem retorno posterior. Também destacam que a construção civil opera com planejamento de médio e longo prazo e com contratos atrelados a indexadores que evoluem de forma gradual, o que não se compatibiliza com aumentos consideráveis no curto prazo.

Para o presidente do Sinduscon de Balneário Camboriú e Camboriú, empresário Carlos Haacke, o momento exige maturidade e responsabilidade por parte de todos os agentes envolvidos. “A construção civil é um dos principais motores da economia, gerando emprego, renda e divisas. O que se espera, neste cenário, é equilíbrio, transparência e disposição para o diálogo, para que as relações comerciais se mantenham sustentáveis e seguras”, pontua Haacke.

Assinam o manifesto os sindicatos da Indústria da Construção de Balneário Camboriú e Camboriú; da Costa Esmeralda (Itapema, Porto Belo e Bombinhas); da Foz do Rio Itajaí (Itajaí, Navegantes, Penha e Balneário Piçarras); e de Criciúma, além da Associação das Construtoras e Incorporadoras de Porto Belo.

Confira o conteúdo do manifesto:

MANIFESTO DO SETOR DA CONSTRUÇÃO CIVIL SOBRE REAJUSTES DE INSUMOS

Os Sindicatos da Indústria da Construção de Balneário Camboriú e Camboriú; da Costa Esmeralda (Itapema, Porto Belo e Bombinhas); da Foz do Rio Itajaí (Itajaí, Navegantes, Penha e Balneário Piçarras); e de Criciúma, juntamente com a Associação das Construtoras e Incorporadoras de Porto Belo (ACIP), vêm a público manifestar preocupação diante dos recentes anúncios de reajuste nos preços dos insumos da construção civil.

No entendimento das entidades, causa extrema preocupação a sinalização de aumentos generalizados entre 20% (vinte por cento) e 30% (trinta por cento), especialmente quando justificados de forma genérica por possíveis reflexos econômicos decorrentes de instabilidades geopolíticas e de supostas elevações nos custos de matérias-primas e combustíveis.

Reajustes dessa magnitude, anunciados de forma abrupta e sem demonstração objetiva, concreta e individualizada da efetiva elevação dos custos, revelam postura incompatível com a boa-fé e o equilíbrio que devem nortear as relações comerciais entre os agentes da cadeia produtiva da construção civil.

A preocupação do setor se agrava porque a construção civil não possui condições de absorver ou repassar imediatamente aumentos dessa natureza. Isso porque os contratos firmados pelas construtoras e incorporadoras são, em sua maioria, corrigidos por índices como o CUB/SC e o INCC, cujos efeitos ocorrem gradualmente e não acompanham, de forma instantânea, majorações abruptas impostas pelos fornecedores.

Amplos e simultâneos reajustes, desvinculados de custos efetivamente demonstrados, comprometem a previsibilidade da atividade e afetam obras em andamento, impactando toda a cadeia produtiva.

Além disso, o atual cenário econômico é de desaceleração do mercado, com retração das vendas e forte impacto da política de juros sobre a atividade imobiliária, circunstâncias que exigem cautela, responsabilidade e racionalidade por parte de toda a cadeia de fornecimento.

A situação imposta agora é semelhante a vivenciada durante o período da pandemia da COVID-19, quando o setor suportou aumentos expressivos e desproporcionais nos preços dos insumos, sem que posteriormente houvesse a correspondente recomposição para patamares de normalidade. Os prejuízos experimentados naquele período ainda servem de alerta e não podem ser ignorados.

Também chama atenção o fato de terem sido recentemente anunciadas medidas voltadas à redução do custo do diesel, com impacto estimado em R$ 1,20 (um real e vinte centavos), circunstância que, em tese, deveria contribuir para a contenção de custos logísticos, e não para a legitimação de aumentos generalizados e imediatos.

Diante desse cenário, o setor defende que qualquer eventual reajuste somente possa ser promovido mediante efetiva comprovação da elevação dos custos que o justifique.

A construção civil é setor essencial para a economia regional, responsável pela geração de empregos, circulação de renda, viabilização de moradias e implantação de estruturas destinadas às atividades produtivas. Desta forma, não se pode admitir que decisões unilaterais, precipitadas e dissociadas da realidade do mercado imponham desequilíbrio a toda a cadeia.

Por isso e, principalmente, pela necessidade de relações comerciais seguras e transparentes, o momento que estamos vivenciando exige equilíbrio, responsabilidade e diálogo efetivo entre todos os agentes da cadeia.

Sinduscon de Balneário Camboriú e Camboriú
Sinduscon Costa Esmeralda (Itapema, Porto Belo e Bombinhas)
Sinduscon da Foz do Rio Itajaí (Itajaí, Navegantes, Penha e Balneário Piçarras)
Sinduscon de Criciúma
Associação das Construtoras e Incorporadoras de Porto Belo (ACIP)

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