Alunos do Jardim I e II participaram de oficina sobre o território quilombola e confecção de bonecas Abayomi
Um momento de conhecimento, cultura e aprendizado. Foi assim que as crianças da Educação Infantil do Núcleo de Educação Infantil (NEI) Bom Sucesso iniciaram a segunda-feira (14). Alunos do Jardim I e II participaram de uma oficina do Projeto Escola do Rio e Mar, que levou para dentro da unidade saberes ligados à cultura quilombola e a confecção das bonecas Abayomi.
A atividade foi conduzida pela artesã Sueli Marlete Leodoro, da comunidade quilombola Morro do Boi. Durante a oficina, as crianças conheceram aspectos da cultura quilombola e participaram da confecção das bonecas, utilizando retalhos de tecido. Para facilitar o trabalho com os pequenos, Sueli levou parte das peças previamente preparadas e com o auxílio dos professores, cada criança pôde dar forma e vestir a própria Abayomi.
A oficina faz parte de uma programação desenvolvida pelo Projeto Escola do Rio e Mar, por meio da parceria entre a Subprefeitura da Região Sul e a Fundação Cultural de Balneário Camboriú. A iniciativa também conta com a participação da Empresa Municipal de Água e Saneamento (Emasa), Secretaria do Meio Ambiente e Desenvolvimento Econômico e Secretaria de Educação (Seduc).
A subprefeita da Região Sul, Grasiela Martins, explica que as atividades buscam aproximar os estudantes do território onde vivem e dos diferentes saberes que fazem parte da história local.
“Hoje é um momento bastante feliz para o Projeto Escola do Rio e Mar. Ele surgiu com o potencial de valorizar a Política Municipal de Educação Ambiental e, por meio dessas parcerias, conseguimos percorrer os núcleos e escolas da Região Sul, trazendo discussões sobre o território quilombola, o artesanato com escamas de peixe e a confecção de barcos artesanais junto ao pescador da Barra”, detalha.
A proposta é que as oficinas estejam relacionadas aos projetos, sequências didáticas ou planejamentos desenvolvidos pelos professores em sala de aula. Dessa forma, as experiências práticas passam a integrar o processo de ensino e aprendizagem, articulando os conteúdos trabalhados na unidade com a cultura, a identidade e o território de Balneário Camboriú.
Atualmente responsável pela implementação do Projeto Escola do Rio e Mar de Balneário Camboriú, a professora Carla Cravo comenta que a receptividade dos profissionais da Rede Municipal de Ensino, da Região Sul, tem sido positiva. “Desde o início, a expectativa da coordenação do projeto e dos professores que estão sendo atendidos está muito positiva. Os professores estão bastante empolgados em acolher essas oficinas e enriquecer a parte pedagógica do dia a dia da sala de aula junto aos alunos”, destaca.
No NEI Bom Sucesso, a atividade também deu continuidade a um trabalho desenvolvido ao longo do ano. A diretora da unidade, Gabriela Zandomenichi, explica que as crianças já trabalham temáticas relacionadas à cultura do município.
“Nós já trabalhamos toda a questão da cultura viva durante o ano e agora estamos com essa parceria com a Escola do Rio e Mar, a fim de promover oficinas nessa temática e valorizar a cultura que acontece tanto aqui na Barra como em todo o município. Essas ações vêm fortalecer ainda mais o nosso trabalho pedagógico”, afirma.
Para a professora do Jardim I, Daniela Jaqueline Vieira, a experiência também proporcionou uma forma diferente de aproximar as crianças da cultura afro-brasileira. “Senti as crianças muito entrosadas na oficina. É uma cultura que precisamos resgatar e a construção da Abayomi tem todo um significado e simbolismo. Acho que cada criança vai levar consigo aquilo que experienciou neste momento”, destaca.
O que são as bonecas Abayomi
Confeccionadas a partir de retalhos de tecido, sem a utilização de cola ou costura, as bonecas Abayomi foram criadas pela artesã maranhense Lena Martins, no Rio de Janeiro, na década de 1980. A técnica ganhou forma em 1987, período em que Lena integrava o Movimento de Mulheres Negras.
Com o passar dos anos, a Abayomi tornou-se uma expressão de identidade, ancestralidade, resistência e valorização da cultura negra. Sua confecção também passou a integrar práticas educativas e culturais em diferentes espaços.
No NEI Bom Sucesso, além de conhecerem o significado cultural das bonecas, as crianças puderam participar de todo o processo de criação adaptado à faixa etária, escolhendo e manuseando os tecidos utilizados na atividade.
Para Sueli, levar esses saberes para dentro das unidades de ensino também amplia a visibilidade da comunidade quilombola e cria oportunidades para trabalhar a cultura afro-brasileira desde a infância. “A gente quer trabalhar junto. Queremos estar dentro de uma sala de aula falando do nosso trabalho”, ressalta a artesã.
Sobre o Projeto Escola do Rio e Mar
O Projeto Escola do Rio e Mar busca valorizar a cultura, a identidade e os saberes relacionados ao território de Balneário Camboriú por meio de atividades desenvolvidas em parceria com mestres e detentores de saberes locais.
As oficinas são voltadas para estudantes da Educação Infantil, dos Jardins I e II, e do Ensino Fundamental e são realizadas de acordo com a escolha e o planejamento pedagógico de cada turma. Entre as atividades previstas estão experiências relacionadas ao território quilombola de Balneário Camboriú, artesanato com escamas de peixe, confecção artesanal de barcos, cerâmica, culinária local, observação de aves e manifestações culturais da região.
Inicialmente, o projeto percorre núcleos e escolas municipais da Região Sul. A expectativa, segundo Carla Cravo, é ampliar a iniciativa nos próximos anos. “É um movimento que está se iniciando na Região Sul, com possibilidades de, nos próximos anos, expandir para as demais escolas do município”, completa.



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