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Escândalo no Sisembc envolve diretoria

Durante a semana passada circulou nas redes sociais um vídeo a respeito de uma denúncia envolvendo a diretora-geral Mariza Zerbato e o presidente Valdir Lolli, que por mais de 10 anos comandam o sindicato dos servidores municipais, deixando uma dívida de um processo trabalhista que favorece justamente o irmão da diretora, no valor de 423 mil reais.


O Blog do Pepa entrou em contato com o presidente Valdir Lolli na tarde de sexta-feira (11/09) para ouvir sua versão e seu envolvimento no caso. Lolli respondeu afirmando que estava numa audiência em Blumenau e que retornaria assim que possível, com uma Nota Oficial. Até o final da noite deste domingo (13/09), o Blog do Pepa não recebeu nenhuma informação do presidente do sindicato.
Acompanhe a seguir as informações que circulam nas redes envolvendo Valdir e Mariza

O SISEMBC esconde dos servidores que o ex-funcionário Jaidi da Silva, irmão da secretária-geral Mariza Zerbato, processou a entidade após acumular histórico de advertências, atestado adulterado e até prisão na sede do sindicato.

Olha esse número: Duzentos e quarenta e três mil reais (R$ 243.000,00).

Esse é o valor que o SISEMBC (Sindicato dos Servidores Municipais de Balneário Camboriú) deverá pagar a um ex-funcionário após condenação na Justiça do Trabalho. E você pode estar se perguntando: mas quem é esse ex-funcionário que vai receber todo esse dinheiro bancado pelas contribuições dos servidores?

O nome dele é Jaidi da Silva. E aqui surge o primeiro detalhe importante: Jaidi é irmão de Mariza Zerbato, secretária-geral do Sindicato.

Um Histórico de Privilégios e Conivência
Essa história começa em março de 2013, quando Jaidi passa a trabalhar para a entidade. O vínculo durou mais de dez anos. E, quando analisamos os documentos públicos do processo trabalhista, aparecem episódios que ajudam a entender essa relação nociva.

Entre os fatos mencionados nos autos estão questões graves envolvendo patrimônio, apropriação indevida, consumo de álcool durante o trabalho, dormir em expediente e apresentação de atestado grosseiramente adulterado.

TRECHO DO PROCESSO: ADVERTÊNCIA POR ATESTADO FALSO

“No dia 03.02.2021, comprovando pelo atestado Médico emitido às 11:42. Porém, percebe-se que o atestado foi GROSSEIRAMENTE ADULTERADO, de um dia de repouso para 4 (quatro) dias em numeral, porém, por extenso continua ‘UM’. Assim, os fatos acima descritos violam os arts. 482, letra ‘e’, da CLT…”

Assinado: Valdir Lolli – Presidente

TRECHO DO PROCESSO: ADVERTÊNCIA POR DORMIR NO SERVIÇO

“Fica Vossa Senhoria Advertido, por estar dormindo no local de trabalho no dia 1º de fevereiro de 2021, às 15:30… Frise-se que neste dia, também não ocorreu o desempenho das funções deixadas pelo Presidente do Sindicato… limpeza do chão tirando todas os frascos de bebidas e latinhas de cervejas espalhadas…”

Assinado: Valdir Lolli – Presidente

As mensagens anexadas ao processo provam que integrantes da direção tinham pleno conhecimento dos problemas envolvendo Jaidi. A própria irmã e dirigente sindical enviou mensagens alertando-o sobre embriaguez no trabalho e presença de bandidos, mas o vínculo se manteve.

Caso de Polícia e Morte na Sede do Sindicato
A lista não para por aí. Um dos episódios mais graves e aterrorizantes ocorreu na própria sede social do Sindicato. Uma ação policial relacionada à receptação de veículos e outros bens roubados terminou com Jaidi preso e um homem morto no local.

Posteriormente, Jaidi conseguiu liberdade por meio de um habeas corpus assinado pelos próprios advogados do Sindicato. E, mesmo depois de um episódio criminal dessa magnitude, o vínculo de trabalho com o SISEMBC continuou. Isso levanta uma pergunta inevitável: Por que, diante de tantos episódios registrados, esse vínculo foi mantido?

Regalias Incompatíveis
Há outro ponto que chama atenção. Em 2019, documentos mostram que os valores de adiantamentos relacionados a Jaidi, mesmo sem formação superior, chegaram a R$ 7.380,92. Naquele mesmo período, para comparação, o piso nacional do magistério era de aproximadamente R$ 2.557,00. Técnicos de enfermagem e guardas municipais também recebiam remunerações muito inferiores a esse valor.

E Jaidi, segundo os documentos do processo, ainda possuía benefícios relacionados à sua permanência na sede: Água, Luz, Gás e Vale-alimentação. Tudo isso torna a relação ainda mais difícil de ignorar.

A Conta Chega para o Servidor
Até que chegamos a janeiro de 2024. Depois de mais de dez anos de vínculo e aparente proteção, Jaidi é dispensado sem justa causa. Três meses depois, em abril, ele entra na Justiça contra o próprio Sindicato.

O Valor do Passivo Trabalhista: R$ 243.000,00
E preste atenção nesse ponto: a obrigação discutida no processo não aparece contra Mariza. Não aparece contra Valdir Lolli. Ela recai sobre a instituição.

De onde vêm os recursos do Sindicato? Das contribuições de seus associados. Ou seja, a má gestão ao longo de anos termina produzindo consequências milionárias sobre o patrimônio mantido pelos próprios servidores.

A Hipocrisia Sindical e a Falta de Transparência
O Sindicato tem escolhido a dedo o que os seus filiados têm acesso. A diretoria tem feito assembleias para promover marketing pessoal, perseguir opositores e promover ações paralelas, mas omitiu de seus sindicalizados que o irmão da Mariza vai receber 243 mil reais devido à condenação da Justiça.

É o cúmulo do contraditório: um Sindicato que supostamente deveria defender o trabalho e as boas práticas sendo condenado no Ministério do Trabalho e na Justiça do Trabalho pela sua própria desídia patronal.

O Sindicato não pertence a uma família nem aos dirigentes — ele pertence aos servidores.

Todos os documentos do processo são públicos e estão disponíveis no site da Justiça do Trabalho do Tribunal Regional da 12ª Região (Processo 0000570-65.2024.5.12.0040).

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