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Dia Internacional da Cerveja: médico e ex-homebrewer fala sobre os benefícios da cerveja e os cuidados com o excesso da bebida

Tanto o malte quanto o lúpulo, componentes essenciais da cerveja, possuem algumas substâncias benéficas à saúde. Já o consumo de álcool, que está presente nas cervejas, também pode trazer diversos malefícios, por isso é preciso moderação, segundo médico

Nada como um “sextou” com um gostinho a mais para comemorar, ainda mais quando o dia é dela: da cerveja. Na próxima sexta-feira, 7, é comemorado o Dia Internacional da Cerveja. E não para por aí, neste dia, também estaremos há cerca de dois meses do início das festas alemãs na região. Bom para o setor cervejeiro brasileiro que registrou, em 2025, o maior número de cervejarias da série histórica. O Anuário da Cerveja 2026 – Ano de Referência 2025, publicado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), contabiliza 1.954 estabelecimentos distribuídos em 794 municípios brasileiros, além de crescimento no número de produtos registrados e recorde no valor das exportações do setor, que alcançaram US$ 218,4 milhões. Além disso, o mercado brasileiro de cervejas artesanais já movimenta cerca de R$ 15 bilhões por ano, considerando o ecossistema ampliado de craft beer — que inclui produção, varejo, bares, restaurantes e canais especializados. E a região sul, representa 40% deste mercado.

Além destes números que aquecem o mercado, outra boa notícia é que, a cervejinha do fim de semana, do encontro com os amigos ou do churrasquinho de domingo, tem os seus benefícios para a nossa saúde, sabia? Mas precisa ser consumida com moderação. “Tanto o malte quanto o lúpulo, componentes essenciais da cerveja, possuem algumas substâncias benéficas à saúde, como algumas vitaminas, assim como as do complexo B, silício, que ajuda a fixação do cálcio nos ossos, minerais, substâncias conhecidas como polifenóis, que ajudam na regulação do perfil lipídico, aumentando o colesterol bom, o HDL, possui flavonoides com ação antioxidante e anti-inflamatória, que também exerce algum tipo de proteção no sistema cardiovascular. Do ponto de vista psicológico, elas ajudam um pouco na socialização e no controle do estresse, em alguns casos também no controle da insônia, desde que consumidas em doses e frequência adequadas”, explica o médico José Francisco Vasques Ayres, que tem conhecimento sobre o assunto pois, além de atuar na área da saúde, é formado em homebrewer -cervejeiro- pela Escola Superior de Cerveja e Malte, de Blumenau, e produziu a bebida durante seis anos. Hoje, dedica-se exclusivamente à anestesiologia, sua especialidade na medicina, que exerce em Brusque, Blumenau e região.

Vasques destaca ainda que, o mercado cervejeiro tem buscado atender todos os públicos e já existem alguns tipos de cerveja que são “menos prejudiciais à saúde”. “Temos como exemplo a cerveja sem álcool, que está cada vez mais popular, com diferentes marcas no mercado. Existem as cervejas conhecidas como Low carb, que possuem uma quantidade bem menor de calorias. Existem também as cervejas sem glúten, para as pessoas portadoras de doença celíaca – que registrou um crescimento na produção de mais de 400%, segundo o MAPA -, e também as cervejas artesanais, as quais, por conterem apenas água, malte, lúpulo e fermento, não possuem adjuntos como xarope de milho e algumas substâncias químicas como conservantes e antioxidantes”, lembra o médico.

CUIDADOS
O consumo excessivo de álcool, que está presente nas cervejas, também pode trazer diversos malefícios à saúde, alerta o médico. “Na intoxicação aguda, podemos destacar alterações de humor, equilíbrio, desinibição e perda do juízo crítico. No uso crônico, podemos destacar alterações neurológicas, como encefalopatia, demência, agudização de transtornos psiquiátricos, que podem levar tanto a desorganização no trabalho quanto na família. Podemos destacar também problemas do fígado, como esteatose, cirrose e até mesmo câncer hepático, alterações do sistema digestivo, como gastrite e alguns tipos de câncer. Em relação ao pâncreas, pode levar a uma pancreatite e até alterações da glicemia, tanto para cima quanto para baixo. Podemos destacar também alguns problemas do sistema cardiovascular, principalmente a elevação da pressão arterial e alterações do funcionamento cardíaco, como a miocardite alcoólica”, frisa.

Além disso, o doutor José Francisco Vasques Ayres, reforça que algumas pessoas não devem, de maneira alguma, consumir bebidas alcoólicas, como mulheres grávidas, por exemplo. “Nestes casos, destacamos as gestantes para evitar malformações fetais, as mães que estão em aleitamento materno, os menores de 18 anos, pessoas que já têm história de dependência do álcool, outras substâncias psicoativas, aqueles que fazem uso de medicações como antidepressivos e ansiolíticos, pessoas que vão dirigir ou operar algumas máquinas e aquelas que têm doenças relacionadas ao fígado, ao coração, doentes renais crônicos, portadores de arritmias e com histórias de crises convulsivas”, alerta Vasques.

BEBA COM MODERAÇÃO
O médico conclui, lembrando de “uma frase muito interessante do médico e cientista suíço do século 16, chamado Paracelso, que diz que: ‘a diferença entre o remédio e o veneno pode ser apenas a dose’. Assim funciona com o álcool. Se utilizado de forma consciente, pode ser benéfico à saúde, porém, seu consumo excessivo pode trazer uma série de transtornos, como a dependência química, doenças graves e, Segundo a Organização Mundial de Saúde – OMS, não existe dose segura para o consumo. Porém, muitos estudos relatam que doses seguras seriam em torno de duas latas de cerveja para o homem por dia, e para a mulher, uma lata de cerveja, sendo que cada lata tem o equivalente a 15 gramas de álcool. E salienta também que, é muito interessante que a pessoa fique, pelo menos, por semana, dois dias consecutivos sem ingestão do álcool”.

E reforça algumas dicas importantes para o consumo consciente do álcool, presente na grande maioria das cervejas. “Primeiro, conhecer os seus próprios limites, saber a quantidade de álcool presente em cada tipo de bebida, comer antes e, durante o consumo, beber bastante água, não beber muita quantidade em um curto espaço de tempo. E o mais importante, se beber, não dirija”, alerta o médico, especialmente para os que, neste Dia Internacional da Cerveja, já marcaram aquele esperado Happy Hour com os amigos.

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