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Queda na geração europeia ocorre enquanto inteligência artificial, data centers e carros elétricos elevam a demanda e colocam o armazenamento no centro do debate energético

Enquanto inteligência artificial, data centers e carros elétricos aumentam a demanda mundial por eletricidade, a crise enfrentada por países europeus expõe o outro lado dessa equação: a geração está cada vez mais sujeita aos efeitos das condições climáticas. Nesse cenário, armazenar energia passa a ser tão estratégico quanto produzi-la.

O nível do rio Danúbio caiu para marcas muito baixas em países como Hungria e Sérvia. Grandes hidrelétricas chegaram a operar com menos de um terço da capacidade normal, enquanto a água quente e rasa dificultou o resfriamento de usinas nucleares. Na Romênia, o governo decretou estado de emergência e realizou explosões controladas para desviar água para uma usina. Outros países adotaram medidas para reduzir o consumo nos horários de pico.

“Estamos diante de duas forças: a demanda por eletricidade cresce rapidamente, enquanto eventos climáticos podem comprometer a geração. Isso muda a discussão sobre segurança energética”, afirma Luis H. Schuster, diretor da SolarPro Sistemas de Energia, de Pomerode (SC).

A inteligência artificial amplia essa pressão. Data centers funcionam 24 horas por dia processando grandes volumes de informações. No Brasil, o futuro mega data center do TikTok, no Ceará, tem consumo previsto de 200 MW, podendo chegar a 300 MW, equivalente ao de uma cidade com cerca de dois milhões de habitantes. A expansão dos veículos elétricos acrescenta uma nova demanda ao sistema.

Baterias ajudam a equilibrar a equação

É nesse cenário que ganham importância os sistemas de armazenamento em baterias (BESS). A tecnologia permite guardar eletricidade nos períodos de maior disponibilidade ou menor custo e utilizá-la nos horários de pico, em interrupções no fornecimento ou quando a geração diminui.

Para Schuster, a crise europeia antecipa uma discussão que também deverá ganhar espaço no Brasil. Com o crescimento do consumo e das fontes renováveis, o desafio deixa de ser apenas produzir energia: será preciso armazená-la para garantir sua disponibilidade no momento necessário.

Santa Catarina já adota tecnologia

O Bioparque Zoo Pomerode tornou-se o primeiro zoológico da América Latina a instalar um sistema BESS. O equipamento KuBank 2.0, da Canadian Solar, armazena 277 kWh e permitirá aproveitar de forma estratégica a energia produzida pela usina solar do empreendimento.

Para Schuster, além da segurança energética, o investimento em baterias também tem impacto econômico para as empresas. “Uma interrupção no fornecimento pode representar prejuízos significativos para uma empresa. Ao mesmo tempo, utilizar a energia armazenada nos períodos de maior custo pode reduzir despesas. Com eventos climáticos como o El Niño aumentando a preocupação com a segurança do sistema, esses são fatores que tornam o armazenamento cada vez mais estratégico”, afirma.

Crédito das fotos: Divulgação
Foto do Luis: Wellington Civiero
New Age Comunicação
Liliani Bento
(47) 99112-2031

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