Busca por previsibilidade que acompanhe o cronograma de longo prazo das obras impulsiona migração de médias empresas para fundos de investimento especializados.
A construção civil é um dos principais motores econômicos de Santa Catarina e fechou o primeiro trimestre de 2026 com mais de 9,6 mil novos postos de trabalho gerados, segundo dados do Novo Caged.
Impulsionado pelo boom de edifícios no litoral norte, em polos como Itapema e Camboriú, o setor vive um crescimento acelerado. Nos bastidores desse fenômeno, ocorre uma mudança estrutural na gestão: para manter o ritmo dos canteiros de obras, as incorporadoras estão substituindo as linhas de crédito bancárias tradicionais por estruturas personalizadas no mercado de capitais.
A tendência acompanha um cenário macroeconômico nacional de amadurecimento financeiro. Dados da ANBIMA (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) mostram que o mercado de capitais brasileiro vem atingindo patamares recordes, superando R$ 500 bilhões em captações por empresas que buscam alternativas aos grandes bancos.
Paralelamente, indicadores da Fundação Getúlio Vargas (FGV) apontam que a rigidez e os formatos padronizados do crédito tradicional fazem com que mais de um terço dos empresários do setor busquem novas ferramentas de financiamento que conversem melhor com o ciclo imobiliário.
Impactos na região
Na prática regional, essa mudança reflete-se em casos de forte expansão. Em Camboriú, por exemplo, uma construtora com 14 anos de atuação, o Grupo IPEX, quintuplicou o tamanho de sua operação em relação a 2024. A arrancada aconteceu após a empresa reformular sua gestão e migrar para fundos estruturados. Atualmente, a incorporadora desenvolve cerca de 80 mil metros quadrados em empreendimentos residenciais e comerciais na região de Camboriú.
“O fluxo de caixa na construção funciona com oscilações naturais entre entradas e saídas ao longo do ciclo das obras. Contar com um parceiro que compreenda essa dinâmica imobiliária e ofereça segurança nas operações é o que sustenta o crescimento sem comprometer a saúde operacional”, afirma Ramon Geremias, diretor financeiro da construtora.
Nova cultura de crédito e governança
Diferente do crédito de emergência (nicho que não interessa a esse mercado) os fundos estruturados oferecem previsibilidade que acompanha o cronograma de longo prazo das obras, atraindo empresas saudáveis e com governança sólida. Uma das principais ferramentas utilizadas são os FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios), mecanismo que antecipa para as empresas os valores que elas têm a receber a prazo.
Em Itapema, esse fenômeno é observado de perto pela SP CAPITAL, fundo de investimento sediado a cidade. Focada em diversos setores, a empresa já injetou mais de R$ 500 milhões só no setor de construção civil e infraestrutura catarinense. Em 2025, atingiu a marca de mais de R$ 1 bilhão operados em diversos setores da economia. A meta para esse ano é ainda mais ousada: R$ 2,4 bilhões.
Com isso, a empresa, registrou um salto de 711% em suas operações nos últimos dois anos ao se posicionar como um braço estratégico para o setor produtivo.
“Não entregamos apenas capital. Entregamos uma estrutura que entende o ciclo da construção. Uma vez estabelecida a parceria e feita a análise técnica rigorosa, a fluidez do recurso permite que o empresário tenha a previsibilidade necessária para focar no canteiro de obras e no cumprimento de prazos”, explica Luís Carlos Schneider, diretor-presidente da SP CAPITAL.
Selo de maturidade
Para o economista e professor do curso de Relações Internacionais da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), Daniel da Cunda Corrêa da Silva, o acesso ao mercado de capitais funciona como um selo de maturidade para o setor, já que exige das construtoras um nível elevado de governança, o que explica o rigor nas análises iniciais.
“O mercado de capitais é bastante seletivo. Ele exige certificações, diretrizes de ‘compliance’ e ajustes na gestão financeira e operacional que revelam amadurecimento. Além disso, essa modalidade estende o ciclo de expansão imobiliária da região ao permitir captar recursos de fora do Brasil, apresentando-se como uma alternativa muito mais dinâmica e adequada ao ciclo longo das obras que o financiamento bancário tradicional”, analisa o economista.
Impacto no desenvolvimento regional
Essa necessidade de ferramentas financeiras previsíveis é o que garante que a curva de empregos na região não sofra frenagens bruscas. Para o diretor-presidente da SP CAPITAL, Luís Carlos Schneider, o reflexo prático desse modelo de captação vai muito além dos números das planilhas: ele se traduz na segurança de que o canteiro de obras manterá seu ritmo.
“A estabilidade financeira de uma construtora mantém a roda girando para centenas de famílias. Quando o empresário garante o recurso adequado ao cronograma físico da obra, ele protege desde o fornecedor de insumos até o comércio local. É a gestão financeira moderna se transformando em desenvolvimento social para Santa Catarina”, finaliza Schneider.
FOTO: IPEX CONSTRUTORA



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