Evento reuniu em Balneário Camboriú representantes do Judiciário, OAB, FIESC e magistratura para discutir oportunidades para jovens que vivem ou viveram em serviços de acolhimento
Mais do que completar 18 anos, deixar uma instituição de acolhimento significa, para muitos jovens, enfrentar o desafio de começar uma vida adulta praticamente do zero. Sem uma rede familiar estruturada, formação profissional ou condições financeiras para se manter, a transição pode ser marcada por incertezas. Foi a partir dessa realidade que surgiu, em Santa Catarina, o Programa Novos Caminhos, iniciativa que se tornou referência nacional na preparação e no apoio a esses jovens.
A importância do programa e os caminhos para ampliar a rede de proteção foram discutidos durante o encontro “Conexão com Novos Caminhos”, realizado na sede da OAB de Balneário Camboriú. O evento, que contou com a abertura do presidente da OAB/BC, Rafael Pierozan, reuniu representantes do Poder Judiciário, da magistratura catarinense, da FIESC e interlocutores do programa em um espaço de diálogo sobre estratégias voltadas ao desenvolvimento de crianças e adolescentes.
O painel foi mediado por Silvana Meneghini, gerente executiva do SESI SENAI Regional Foz do Rio Itajaí, e contou com a participação da desembargadora e coordenadora estadual da Infância e da Juventude, Claudia Lambert de Faria; do juiz e diretor adjunto da Família, Infância e Juventude da Associação dos Magistrados Catarinenses, Fernando Machado Carboni; do vice-presidente da FIESC da Regional Foz do Rio Itajaí, Maurício Cesar Pereira; e do advogado e representante estadual da OAB/SC no Programa Novos Caminhos, Marcos Emerson Krzisch.
Durante o encontro, Claudia Lambert de Faria destacou a trajetória do programa, criado em 2013 pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC), em parceria com a Associação dos Magistrados Catarinenses (AMC) e a FIESC. A iniciativa nasceu diante de uma realidade que ainda desafia a sociedade: adolescentes que vivem em serviços de acolhimento precisam deixar essas instituições ao completar 18 anos, muitas vezes sem contar com uma estrutura familiar capaz de apoiá-los na construção da autonomia.
Jovens que precisam de oportunidades
Para Fernando Machado Carboni, compreender a trajetória desses jovens é fundamental para entender a importância de uma rede de apoio. Segundo ele, são adolescentes e jovens que, em muitos casos, chegaram aos serviços de acolhimento após experiências de violência, negligência, abandono e ruptura de vínculos familiares.
Por isso, a chegada aos 18 anos não pode ser encarada simplesmente como o fim do acolhimento institucional. É também o início de uma nova etapa que exige preparação, acompanhamento e oportunidades para que esses jovens possam construir a própria trajetória com autonomia e dignidade.
Nesse processo, a inserção no mercado de trabalho ocupa um papel central. A empregabilidade é um dos pilares do Novos Caminhos justamente porque permite que o jovem conquiste condições concretas para sustentar a própria vida, além de ampliar suas perspectivas de futuro.
Empresas têm papel decisivo
O vice-presidente da FIESC na Foz do Rio Itajaí reforçou durante o encontro a importância da participação do setor produtivo nessa transformação. O apelo feito às empresas foi direto: é necessário acolher esses jovens e oferecer uma oportunidade profissional. A indústria tem sido uma das principais parceiras nesse processo.
Mais de 75% das contratações realizadas por meio do programa são feitas pelo setor industrial, demonstrando o impacto que a aproximação entre iniciativa social e mercado de trabalho pode produzir. “A participação empresarial, porém, vai além da contratação. Ao abrir portas para esses jovens, contribuímos para sua educação, capacitação profissional e desenvolvimento pessoal, criando condições para que eles possam assumir responsabilidades e ocupar seu espaço na sociedade”, observa.


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