No último ano epidemiológico completo, foram notificados mais de 25 mil novos casos de hepatites virais no país
Data: Julho, 2026 – Estamos no mês de julho, que é conhecido como o “Julho Amarelo”, período que ganha destaque quando o assunto é prevenção das hepatites virais. Elas são infecções que atacam o fígado e podem ser graves, provocando falência do órgão, cirrose e até câncer, sendo que as hepatites mais comuns são aquelas dos tipos A, B e C.
No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, entre 2000 e 2024, foram confirmados mais de 826 mil casos no país. Embora os tipos B e C apresentam maior prevalência, o país tem registrado surtos recentes e aumento nos números do tipo A. Dados apontam o predomínio das infecções por Hepatite B (39,49%) e Hepatite C (48,69%) no histórico recente. No último ano epidemiológico completo, foram notificados mais de 25 mil novos casos de hepatites virais no país, sendo a maior concentração de casos no Sudeste (34,5%), seguido pelo Nordeste (24,3%) e Sul (18,8%). A hepatite D, por exemplo, é mais concentrada na Região Norte. Além disso, a faixa etária de pessoas infectadas, também mudou. A maior incidência de diagnósticos está concentrada em adultos entre 40 e 59 anos (40,1%). No entanto, casos de hepatite A têm afetado predominantemente adultos jovens (20 a 39 anos), associados tanto à contaminação sanitária quanto a práticas sexuais.
Neste sentido, a médica gastroenterologista, Josiane Fischer, alerta para a importância da prevenção, evitando as causas do contágio. “O contágio varia bastante. A hepatite A é transmitida por água e alimentos contaminados e os tipos B e C passam pelo sangue, pelo compartilhamento de seringas, lâminas e alicates contaminados e também é transmitida pela relação sexual”, explica a médica, membro da Associação Brusquense de Medicina – ABM.
A gastroenterologista destaca ainda que, os sintomas merecem uma observação especial. “O grande perigo da hepatite é que ela é uma doença silenciosa. Quando aparecem os sintomas, geralmente, já é uma doença mais avançada. Os sintomas mais comuns são a pele amarelada, ou seja, a icterícia, ou pode ter sintomas como febre, cansaço, ou quando já tem um quadro mais grave”, frisa.
TRATAMENTO E PREVENÇÃO
Conforme a médica Josiane Fischer, houve uma queda na mortalidade. “Entre 2014 e 2024, houve uma redução de 50% no coeficiente de mortalidade por hepatite B e de 60% por hepatite C. O Brasil persegue as metas da OMS para 2030, que incluem a redução de 65% dos óbitos e de 90% na incidência. A cobertura de diagnóstico para hepatite B é de aproximadamente 34,2%, enquanto a taxa de tratamento chega a 3,6%. “, descreve.
Segundo relatório deste ano da Organização Mundial da Saúde, o Brasil alcançou progressos substanciais na redução da carga das hepatites virais por meio do Sistema Único de Saúde – SUS. Em nível nacional, os avanços recentes para essa redução incluem, por exemplo, a cobertura da vacinação contra hepatite B entre recém-nascidos e lactentes, que aumentou de 77% em 2023 para 98% em 2025. Também foram realizados esforços para ampliar a oferta de diagnóstico e tratamento para pessoas com infecção por hepatite B e C.
A médica explica ainda que, a hepatite B tem tratamento e controle e, a hepatite C, tem cura em mais de 90% dos casos com tratamento. Vale destacar que, as hepatites B e C são tratadas com comprimidos que constam na listagem fornecida pelo SUS. “Já para prevenir as hepatites, a dica de ouro é a vacinação, disponível no SUS para as hepatites A e B. Para prevenir a hepatite C, é importante usar preservativo, exigir material descartável ou esterilizado nas manicures e tatuadores. E para prevenir a hepatite A, lavar bem as mãos e os alimentos”, finaliza a médica.





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