Com apresentações gratuitas em seis cidades catarinenses, a peça “O Espectador Condenado à Morte” transforma a relação entre palco e plateia em uma experiência imersiva e provocadora
A circulação catarinense de “O Espectador Condenado à Morte” chega a Balneário Camboriú neste domingo (24), às 19h30. O espetáculo do grupo Quinta Não Dá leva ao palco do Teatro Bruno Nitz uma experiência inspirada no Teatro do Absurdo, em que o público deixa de ser apenas observador para integrar o jogo cênico. Formada em Florianópolis, a companhia – que já esteve em Joinville – segue depois de BC para Imbituba, Lages, Chapecó e encerra a circulação na Capital em junho. As sessões são gratuitas, com retirada de ingressos na bilheteria dos teatros uma hora antes das apresentações.
Inspirado na obra do dramaturgo romeno, o espetáculo ancora-se na linguagem do Teatro do Absurdo para construir uma experiência que tensiona os limites entre palco e plateia. Mais do que assistir, o público é convidado a perceber seu próprio papel dentro da encenação. O diretor da peça, Leonardo Cesar, explica que é uma crítica direta à passividade social. “O espectador acaba sendo condenado por calar-se diante das injustiças e dos absurdos do sistema”, conta.
Caracterizado por situações ilógicas, repetições e diálogos que desafiam a linearidade, o Teatro do Absurdo surge no pós-guerra como resposta a um mundo em crise de sentido. Em “O Espectador Condenado à Morte”, esses elementos ganham forma em uma encenação que aproxima a ficção da realidade contemporânea, marcada por julgamentos constantes, disputas de narrativa e exposição pública.
Ao longo da peça, o pacto tradicional entre quem assiste e quem atua é colocado em xeque. O espectador deixa de ocupar um lugar passivo e passa a ser implicado no jogo cênico, em uma dinâmica que provoca reflexão e participação. “A obra não oferece respostas fáceis. Ao contrário, convida o público a lidar com as ambiguidades de um cenário onde a verdade pode ser tão instável quanto a própria encenação”, observa o diretor.
De acordo com ele, ninguém do público é obrigado a participar. A encenação envolve as cadeiras da plateia, para colocar o público no centro do julgamento, transformando-o em parte da engrenagem. “A experiência de fazer a peça, de certa forma, junto com os atores pode ser transformadora”, reflete. Ainda mais em uma sociedade que está cada vez mais se distanciando do presencial, das interações humanas e, ao mesmo tempo, produzindo uma realidade que beira o absurdo. Não por acaso, a peça sugere reflexões acerca do cotidiano das pessoas, dos líderes políticos que se apresentam e tantas outras questões.
Ainda segundo Leonardo, o teatro pode trazer esse tipo de reflexão e, também por isso, é preciso cada vez mais ampliar o acesso à produção teatral contemporânea e chegar a outras cidades, para além da capital do estado. Dessa forma, a circulação de “O Espectador Condenado à Morte” contempla cinco regiões de Santa Catarina, sendo que todas as apresentações terão tradução em Libras, e Florianópolis contará, também, com audiodescrição, reforçando o compromisso do projeto com a inclusão de diferentes públicos.
O projeto é incentivado pela Tirol, aprovado pela Fundação Catarinense de Cultura através do Programa de Incentivo à Cultura (PIC) do Governo do Estado de Santa Catarina e conta com o apoio da Fundação Cultural Franklin Cascaes e Prefeitura de Florianópolis, SESC Santa Catarina, Teatro Bruno Nitz, Cia Desmontagem Cênica, Prefeitura de Imbituba. “É por conta desses apoios, que conseguimos viajar o estado e realizar apresentações gratuitas para todos”, conclui o diretor.
SERVIÇO “O Espectador Condenado à Morte”
24/05 – Balneário Camboriú | Teatro Bruno Nitz, às 19h30 com tradução em Libras
29/05 – Imbituba | Teatro Usina, Às 19h30
30/05 – Lages | Sesc, às 19h30
06/06 – Chapecó | Sesc, às 19h30
28/06 – Florianópolis | Teatro Álvaro de Carvalho, às 19h30
Classificação indicativa: 14 anos
Acessibilidade: tradução em Libras em todas as cidades, sendo que em Florianópolis haverá, também, audiodescrição.


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