Avaliação da capacidade de carga indicará quantas pessoas podem frequentar a área diariamente sem causar danos ambientais
A quantidade de visitantes que o Parque Natural Municipal Raimundo Gonçalez Malta comporta está sendo avaliada. Em julho, foi iniciado um estudo de capacidade de carga da Unidade de Conservação (UC).
Contratado pela Prefeitura de Balneário Camboriú, por meio da Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade, e realizado pela Universidade do Vale do Itajaí (Univali), o estudo atende às diretrizes do Plano de Manejo do Parque e às normas de gestão de Unidades de Conservação. O resultado do trabalho, que deve ser concluído em outubro, vai subsidiar políticas públicas com dados técnicos e assegurar o equilíbrio entre conservação e uso público. O estudo vai apontar quantas pessoas poderão usar a área diariamente sem causar danos ao lugar.
O Parque Raimundo Malta vem recebendo um número crescente de visitantes. De agosto de 2025 a julho de 2026, o público foi de 56.423 pessoas. No Plano de Manejo concluído em 2018, consta um levantamento com a contabilização de 27.406 visitantes em dez meses. O local é instituído como Unidade de Conservação de Proteção Integral, possuindo ecossistemas sensíveis (manguezal e Mata Atlântica) e infraestrutura de visitação (trilhas, viveiro de mudas, horto de plantas medicinais e deck de observação).
Conforme o professor Paulo Pires, integrante da equipe da Univali responsável pelo estudo, o trabalho vai indicar o maior número possível de visitantes que a área suporta com o menor impacto possível no ambiente natural. Além disso, será levada em consideração a satisfação do visitante sobre a própria experiência no Parque. Para obter essas informações, um questionário é repassado ao público. Quem visitou o local pode também responder às perguntas por meio do link https://forms.gle/t1YtpAfQoUvPJgD39.
“O objetivo de um estudo de capacidade de carga para visitação, para o uso público em áreas naturais protegidas, é estabelecer um número de visitantes que represente a melhor experiência possível em relação aos recursos do Parque, de recreação, de lazer e de educação ambiental, com menor impacto possível sobre o ambiente natural. Ao mesmo tempo, essa satisfação, essa melhor experiência do visitante, também inclui a percepção dele em relação ao aglomero de pessoas naquela área e naquele contexto de visitação. Quando há muito aglomero, muita gente, a experiência vai perdendo qualidade, as pessoas acabam vendo muito mais pessoas do que desfrutando do ambiente natural e com menor espaço também para desenvolver suas atividades de lazer, de recreação ou simplesmente para contemplarem a natureza”, explica Pires.
O método utilizado pela equipe envolve três fases sucessivas. A primeira é a definição da capacidade de carga física, que considera o tamanho das áreas utilizadas pelos visitantes. Na segunda fase, são considerados os fatores que compõem a capacidade de carga real, como os biológicos e ecológicos (as condições do ambiente natural, a vegetação, o solo, a fauna, o relevo, a declividade, as condições hidrológicas e a presença de áreas úmidas ou rios). A última fase refere-se à capacidade de carga efetiva, que leva em consideração as condições administrativas e de gestão do Parque para lidar com o uso público.
Ao fim do estudo, a equipe apresentará aos gestores e ao Conselho Gestor do Parque os resultados, com recomendações em relação ao monitoramento e ao acompanhamento do uso público do Parque para garantir que a capacidade de carga seja adotada.
Secretaria de Meio Ambiente fará atualização do Plano de Manejo
Também após a conclusão do estudo, a Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade deve começar os preparativos para a atualização do Plano de Manejo do Parque Raimundo Malta, que deveria ter sido revisado em 2023.
De acordo com o secretário de Meio Ambiente e Sustentabilidade, Nelson Oliveira, o estudo de capacidade de carga será fundamental para orientar decisões, fortalecer a gestão da Unidade de Conservação e preparar a atualização do Plano de Manejo.
“O Parque Raimundo Malta é um patrimônio ambiental de Balneário Camboriú e um espaço muito importante para a educação ambiental, o lazer e o contato da população com a natureza. Como o número de visitantes vem crescendo significativamente, precisamos garantir que o uso do local aconteça de forma responsável e sustentável. Por isso, a Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade contratou este estudo de capacidade de carga, realizado pela Univali. Nosso objetivo não é simplesmente definir um número de visitantes, mas entender, com base em critérios técnicos, quanto o Parque pode receber sem comprometer seus ecossistemas e, ao mesmo tempo, garantir uma boa experiência para quem o visita. Queremos um Parque Raimundo Malta cada vez mais visitado, mas, acima de tudo, preservado para as atuais e futuras gerações”, diz o secretário.


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