Em 2025 (ano base 2024), cerca de 4 milhões de declarações do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) ficaram retidas na malha fina, o que representa quase 9% do total de documentos entregues. Com o avanço tecnológico da Receita Federal e o aumento no cruzamento de informações, o risco de cair na malha fina exige ainda mais atenção dos contribuintes para as declarações de 2026 (ano base 2025).
Segundo o contador Rogério Grimes, da Grimes&Pereira Contabilidade, o cenário para esse ano reforça a importância de não confiar apenas no preenchimento automático da declaração e de adotar medidas preventivas. “Eu estou orientando meus clientes a fazerem uma procuração eletrônica. Assim, conseguimos acessar os dados que a Receita Federal já possui e cruzar com os documentos reais antes do envio da declaração”, explica. De acordo com ele, essa prática tem sido uma das formas mais eficazes de evitar inconsistências.
A malha fina ocorre quando a Receita identifica divergências entre as informações declaradas e aquelas disponíveis em suas bases de dados. Isso pode acontecer por erros de preenchimento, valores incorretos, omissão de rendimentos ou falta de documentos que comprovem as informações. Com sistemas cada vez mais sofisticados, esse cruzamento é feito automaticamente e com alto nível de detalhamento.
Neste ano, segundo Rogério, houve um salto na capacidade de verificação. “A Receita ampliou os cruzamentos de dados e passou a gerar novos relatórios que ajudam no preenchimento. Mas é preciso cuidado, porque nem sempre essas informações estão corretas”, alerta.
Um dos principais erros, de acordo com o contador, é confiar cegamente nos dados pré-preenchidos. “Tem muita informação da Receita que pode estar errada. Se o contribuinte não confere com os documentos, pode acabar declarando algo incorreto e pagar imposto indevido”, destaca.
Por isso, a recomendação é clara: sempre validar todas as informações com documentos oficiais, como informes de rendimento, recibos e comprovantes. “Os documentos são a prova da realidade. Cruzar esses dados com o que a Receita apresenta evita erros e ainda permite ajustes antes do envio, para não pagar imposto indevido”, completa.
As consequências de cair na malha fina podem ir além do atraso na restituição. O contribuinte pode ser intimado a prestar esclarecimentos, apresentar documentos e, em alguns casos, pagar multas que podem chegar a 75% do imposto devido. Também há o risco de ter o nome incluído no Cadin, o cadastro de inadimplentes do setor público federal. Caso haja erro após o envio da declaração, é possível fazer uma retificação online. Já quando a Receita aponta inconsistências, o ideal é aguardar a notificação oficial e apresentar a documentação comprobatória.
Para evitar surpresas, Rogério também recomenda o acompanhamento constante da situação da declaração nos canais oficiais, como o portal e-CAC. Isso permite identificar pendências rapidamente e regularizar a situação antes que haja penalidades. Diante de um cenário mais rigoroso e automatizado, o contador reforça a importância do suporte profissional. “Contar com um profissional em 2026 é o melhor caminho. A gente consegue antecipar problemas, ajustar inconsistências e dar mais segurança ao contribuinte”, conclui.


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