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Custos sociais das bets podem superar arrecadação bilionária gerada pelas apostas, avalia professor da Univali

Impactos econômicos do setor devem ser avaliados para além do faturamento e da geração de tributos

O crescimento das plataformas de apostas esportivas no Brasil tem impulsionado um mercado bilionário e ampliado a arrecadação de impostos. Paralelamente, especialistas alertam para a necessidade de avaliar os impactos econômicos e sociais associados ao avanço do setor, especialmente aqueles relacionados à saúde mental, à produtividade e ao mercado de trabalho.

Para o professor de Economia da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), Daniel Corrêa da Silva, a discussão sobre as bets não deve se limitar ao volume financeiro movimentado pelas empresas ou aos tributos recolhidos. Segundo ele, é necessário considerar também os custos que recaem sobre a sociedade em decorrência dos problemas associados ao jogo compulsivo.

“Quando observamos apenas a arrecadação, temos uma parte da equação. Também é preciso considerar os custos que recaem sobre a sociedade em função de problemas relacionados ao jogo compulsivo e seus desdobramentos”, observa, chamando atenção para a necessidade de olhar os efeitos das bets para além dos indicadores de faturamento.

Dados citados pelo docente apontam que as plataformas de apostas registraram receita bruta de aproximadamente R$ 37 bilhões em 2025. No mesmo período, a arrecadação tributária vinculada ao setor alcançou cerca de R$ 4,5 bilhões no último quadrimestre do ano, valor que projetaria aproximadamente R$ 8 bilhões em um intervalo de 12 meses.

Em contrapartida, um estudo do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde estimou em R$ 38,8 bilhões os custos associados às apostas digitais no país. O levantamento considera fatores como perda de produtividade, desemprego e despesas relacionadas à saúde.

Corrêa da Silva analisa que a comparação entre os valores evidencia a necessidade de ampliar o debate sobre os impactos econômicos das apostas online. “Parte significativa dos custos apontados pelo estudo está relacionada à saúde mental. Entre os fatores considerados estão casos de depressão, afastamentos do mercado de trabalho e outras consequências associadas ao uso problemático das plataformas de apostas”, ressalta o docente.

Regulamentadas recentemente no país, as apostas esportivas vêm ampliando sua presença no ambiente digital e esportivo, enquanto avançam discussões sobre seus efeitos econômicos e sociais entre economistas, especialistas em saúde pública e formuladores de políticas públicas. Entre os temas discutidos estão os limites da publicidade do setor, a tributação das plataformas e os mecanismos de prevenção ao jogo compulsivo.

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