O Dia Nacional da Consciência Negra homenageia e resgata as raízes do povo afro-brasileiro e é comemorado no Brasil no dia 20 de novembro, dia da morte de Zumbi dos Palmares, grande líder da resistência negra e da luta pela liberdade. Zumbi autor da célebre frase: “Nascer negro é consequência, ser negro é consciência”.
Este dia é dedicado de modo especial à reflexão sobre a inserção do negro na sociedade brasileira e sobre a influência do povo africano na formação cultural do nosso país. E como acontece essa inserção hoje em Balneário Camboriú? Vamos conversar com Cristina Aparecida Machado Bitencourt. Nascida em Joaçaba, formou-se em direito em 1995 pela UNIVALI de Itajaí, como a mais jovem advogada do Estado de Santa Catarina, aos 21 anos. Pós graduada em Direito Tributário na UNIVALI de São José; Pós graduada em Gestão Pública pela Universidade Prominas e estudante matriculada em novo Curso Superior junto a Unicesumar, é .
Filha de José Machado, fiscal da fazenda do Estado e Vita Machado, do lar (ambos in memorian), casada com o servidor público municipal da prefeitura de Balneário Camboriú Rui Bitencourt e mãe do estudante de engenharia elétrica Yuri Bitencourt . Atualmente, Cristina é responsável pelo setor administrativo/jurídico de uma das maiores empresas de Investimentos de Balneário Camboriú.
- Cristina, você já esteve em diversas funções e exerceu diversas atividades em sua vida profissional, você já sofreu preconceito pela sua cor?
Já estive em diversos cargos tanto no serviço público, Estado e em Municípios, mas minha essência sempre será a advocacia. Na advocacia nunca sequer me permiti sentir preconceito, as pessoas, juízes, advogados, partes sempre deixaram passar que “se ela é advogada ela deve ser muito boa” (porque era negra kkkkk)
No serviço público sempre fui extremamente respeitada pelos gestores que me indicaram, mas sim, sofri preconceito, por parte de muitos que desconheciam nossa história e nosso currículo.
Preconceitos muitos e de diversas formas. Na grande maioria de forma velada. Outras, com frases tipo: “você não tem o perfil correto para estar neste governo”. O racismo existe e sempre vai existir no Brasil, porque infelizmente, é uma questão de educação e consciência.
- Já se sentiu vigiada em espaços públicos?
O tempo todo nós negros temos que nos testar. Há sempre uma “espera” por parte de algumas pessoas, que os negros não estejam certos, errem, enfim. Só entende e sente quem é negro ou familiares. Mas também já fui muito respeitada e honrada por diversos gestores. E isso sempre fortaleceu ainda mais minha caminhada. - Percebe que a maioria dos apenados no Brasil são negros e pardos e vê isso como problema?
Infelizmente é senso comum que se há duas pessoas envolvidas em uma situação em desacordo com a Lei, e uma é negra e com as mesmas condições físicas e de igual vestimenta, sempre “foi o negão”. Volto a insistir isso somente mudará com educação.
Apesar de eu nunca me melindrar por quaisquer circunstâncias. Sempre encarei o racismo como uma chance para me superar. Nunca foi fácil, mas sabia que se eu queria chegar deveria além de me capacitar constantemente, manter bons e saudáveis relacionamentos. - Acredita que é importante a valorização de referências negras na arte e cultura como instrumento de empoderamento e identificação dos negros?
Extremamente importante. Em todas as áreas. É nessa valorização individual e coletiva que as diferenças se reduzem. Lembro que quando fiz intercâmbio na Alemanha, a minha “gastmutter” presenteou sua filha com uma boneca negra, foi muito importante para mim. Mas ao mesmo tempo decepcionante pois quando cheguei no Brasil, ainda não existiam bonecas negras….e isso me fez ver da importância de referências negras positivas na vida “DAS PESSOAS” independentemente da cor da pele. - Cristina como você vê as cotas raciais como positivas?
Acredito ser de extrema importância como forma de compensação histórica e como forma de equiparação educacional. Não acredito que elas devam ser permanentes. Alguns países optam por tempo determinado. Creio ser uma situação ideal. Nosso filho não optou por cotas na universidade porque teve a possibilidade de ser criado numa família que providenciou ensino de qualidade. Mas nem todas as famílias afro descentes tem essa possibilidade. Então, sim, sou a favor! - Quais são suas maiores inspirações profissionais e pessoais?
Meu pai, José Machado, um dos primeiros negros a ser fiscal da fazenda em SC. Minha mãe Vita Machado, agricultora. Meu esposo, (claro, ngm casa com quem não admira kkk).
Na vida pública, o então deputado Dado Cherem, Leonel Pavan, Ex Prefeito Bolinha de Itapema, e é claro, pela grande confiança e respeito nosso prefeito Fabrício Oliveira, homem de visão, que sempre viu algo a mais em mim e oportunizou servir ao público em diversos cargos de destaque em seu governo. Na iniciativa privada, o sr. Jorge Campos, Dr. Marco Minikoski e sua esposa dra. Eliane, dra. Jucélia Vinholi, advogada e ex presidente da OAB, Juiz da Vara da Família Adilor Danieli e o ex promoto da Vara da Infância dr. Mário. Esses últimos que muito nos ajudou a manter o Grupo de Apoio Adoção Anjos da Vida.



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