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Primeira Marejada: festa foi idealizada há 39 anos para atrair turistas argentinos a Itajaí

Evento foi pensado pelo empresário Luiz Felipe Saada Graf sendo realizado pela primeira vez de 8 a 12 de outubro de 1987

A Marejada nasceu em 1987 a partir de uma ideia do empresário Luiz Felipe Saada Graf para atrair a Itajaí os turistas argentinos que visitavam Balneário Camboriú. A primeira edição ocorreu de 8 a 12 de outubro daquele ano e marcou o início de uma festa que se tornaria parte da identidade cultural do município.

Na época, Felipe como era chamado, um dos proprietários da loja Giorama, buscava uma maneira de apresentar Itajaí aos visitantes argentinos. Para isso, mandou produzir um mapa com os principais pontos turísticos da cidade e organizou um ônibus para buscar os turistas que estavam em Balneário Camboriú para conhecer a sua loja.

A iniciativa deu resultado, mas o empresário percebeu que era necessário criar uma atração própria para movimentar Itajaí e oferecer aos visitantes uma experiência que tivesse relação com a cidade. Surgiu, então, a ideia de uma festa ligada ao mar. A história é lembrada e contada pelo irmão de Felipe, Paulo Roberto Saada Graf, o Beto, que acompanhou de perto os primeiros passos da iniciativa.

O nome Marejada nasceu da própria identidade de Itajaí, uma cidade profundamente ligada ao mar, à pesca e à cultura de quem vive às margens do rio. A ideia começou a ganhar forma quando Felipe se reuniu com outras pessoas dispostas a transformar esse sentimento em uma festa que representasse a cidade. Entre elas estavam o secretário de turismo à época Renato Silva, o agente de viagens Reinaldo Wanderech, o empresário Gabriel Bihr e o professor Acyr Oliveira, que ajudou a incorporar à celebração os elementos da cultura portuguesa e açoriana, tão presentes na história de Itajaí.

O primeiro e único  endereço da Marejada foi o antigo terminal de ônibus coletivos, no espaço onde hoje está o Centreventos. As pequenas estruturas dos antigos pontos de ônibus, em formato de casinhas, foram reaproveitadas e transformadas nos primeiros quiosques para a venda de produtos durante a festa.

O espaço acabou se tornando parte da memória  de gerações de itajaienses. Tanto que, décadas depois, a história permanece na maneira como os moradores mais antigos se referem ao local. Para muitos deles, aquele pedaço da cidade ainda é, simplesmente, a Marejada.

“Ele mandou fazer um mapinha com os pontos turísticos da cidade, arranjou um ônibus e começou a buscar os argentinos. Depois percebeu que precisava fazer alguma coisa maior, uma festa que trouxesse as pessoas para Itajaí e mostrasse a nossa cultura”, conta Beto.

Uma festa construída pela comunidade

Nas primeiras edições, a estrutura era simples. Felipe reuniu entidades e distribuiu os espaços para que cada uma pudesse participar da festa. As associações ficavam responsáveis pelas barracas e pela preparação de diferentes pratos, como caldeirada, pastel e bolinho de peixe.

A participação das entidades também permitia que as próprias organizações arrecadassem recursos. A proposta era manter os preços acessíveis e fazer da Marejada uma festa voltada para as famílias.

Luiz Felipe Saada Graf – idealizador da Marejada 

Dona Maria do bacalhau

A cultura portuguesa rapidamente ganhou espaço. Em uma viagem a Curitiba, o empresário conheceu Dona Maria, portuguesa que preparava pratos de bacalhau, e a convidou para participar da festa com a Tasca Portuguesa. Ela passou a ser uma das personagens lembradas das primeiras edições.

Depois de sua morte, a tradição da Tasca Portuguesa continuou com Gabriel Bihr, da Pizzaria Forno de Lenha, outro participante lembrado por Beto.

Roberto Leal e atrações portuguesas

A programação também passou a incorporar grupos folclóricos ligados às comunidades portuguesas, especialmente de São Paulo, fortalecendo a presença da cultura portuguesa no evento. Entre os artistas trazidos pelo empresário esteve Roberto Leal, cantor português radicado no Brasil.

A presença do artista e de grupos folclóricos portugueses ajudou a consolidar a ligação da Marejada com a cultura portuguesa, que passou a ser uma das características do evento.

O cuidado com cada detalhe

Felipe ganhou a chancela do prefeito à época, Arnaldo Schmitt, e acompanhava pessoalmente a organização da festa. Percorria as barracas, observava o atendimento, experimentava os pratos e fazia anotações sobre o que precisava ser corrigido.

A preocupação também chegava à estrutura e à decoração. Segundo Beto, o empresário tinha facilidade para desenhar e participou da criação de elementos que marcaram as primeiras edições, como um moinho, uma torre e um chafariz.

O antigo moinho permaneceu na memória da família como um dos símbolos daquela primeira fase da Marejada.

Embora tenha sido o idealizador do evento, Felipe preferia atuar nos bastidores e não gostava de aparecer. A família lembra que ele acompanhava de perto todos os detalhes, mas deixava os holofotes para as atrações e para a comunidade.

Ao longo dos anos, a Marejada cresceu, ganhou novas estruturas e passou a receber grandes atrações musicais. A essência da proposta, porém, permaneceu associada à reunião da comunidade em torno da gastronomia, da cultura portuguesa e da identidade de Itajaí.

Luiz Felipe Saada Graf morreu em setembro de 2017. Para Beto, as lembranças do irmão estão diretamente ligadas à criatividade e à disposição para colocar novas ideias em prática.

“Eu tenho muito orgulho de ter vivido tudo isso ao lado do Felipe. A Marejada foi uma das coisas que ele fez com muito carinho, sempre pensando na cidade e nas pessoas. Ele queria uma festa para a família, para o pai, a mãe, os filhos, os netos, para todo mundo poder participar, conhecer a nossa cultura e aproveitar sem precisar gastar muito.

Hoje, quando eu vejo a Marejada e lembro de tudo que vivemos, bate uma saudade muito grande. Mas também sinto orgulho. Porque a festa permaneceu, virou uma marca de Itajaí e continua contando um pouco da história que o Felipe ajudou a construir”, finaliza Beto.

A Marejada permanece como uma das principais marcas deixadas por  Felipe em Itajaí. Criada em 1987 com a intenção inicial de atrair turistas argentinos que visitavam Balneário Camboriú, a festa cresceu e se transformou ao longo dos últimos 39 anos, mas mantém na sua história a participação da comunidade e a valorização da cultura e da gastronomia que marcaram suas primeiras edições.

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