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O Castro e o Rubens Spernau foram os que mais criaram escolas em Balneário Camboriú

O jornalista Pedro Paulo Gonçalves, o Pepa, que trabalha desde a década de 70 no jornalismo de Balneário Camboriú e região, foi entrevistado pelos jornalistas Fran Marcon e Bola Teixeira. Fundador do Blog do Pepa, ele falou sobre política, bastidores das cidades, histórias do fazer jornalístico e muito mais. 

Como surgiu sua história com o jornalismo?

Pepa: Eu posso dizer que começou aos cinco anos de idade, lá em Porto Alegre. A mãe estava passando roupas, ela tinha 11 filhos, e, de repente, comecei a balbuciar, soletrar algumas palavras. Meu pai era jornalista também e levava para casa a Folha da Tarde, Folha da Manhã, Diário de Notícias, Zero Hora e eu me divertia. Assim eu peguei o gosto pelo jornal. Tinha um tio também jornalista, o Demóstenes Gonzalez. Eu fui pegando gosto até chegar em Balneário Camboriú. [Chegou em BC em que ano e o que o trouxe para cá?] Março de 72. Eu queria saber o que eu ia fazer, mas queria trabalhar. Meu pai se dava com o gerente do Bamerindus, Ivo Bernardes, ele falou: “vai lá e fala com o seu Wilson do Cartório Campos”. O seu Wilson, acho que ele era vice-prefeito do Meirinho, na época. Ele chegou e falou: “tu queres trabalhar, vai abrir o Besc, tu vais trabalhar no Besc, é só assinar essa ficha aqui…” Era uma ficha da Arena. Eu agradeci e continuei desempregado. O Olindor Ribeiro Camargo, chefe do cartório de registro de imóveis, estava apoiando o Júlio César e o Pimpa, aqui de Cabeçudas. Um foi deputado federal e outro estadual. Ele abriu um jornal, o Jornal de Camboriú, e pediu para o meu pai assinar [como editor]. O pai tinha registro, era da primeira turma de jornalismo da PUC do Rio Grande do Sul. Eu me formei pela PUC de Campinas (SP). Ele falou: “eu assino desde que arranje um emprego para o meu filho”. Virei jornalista.

Por que você brigou com o prefeito Meirinho?

Pepa: Foi uma bobagem dele. Tem muita gente que é arrogante. O que eu acho do nosso deputado estadual que também é arrogante, impertinente… O Meirinho era isso. Eu botava uma notinha do MDB, e ele me chamava de menino: “menino, para de botar essas coisas no jornal…” Eu estava subindo a prefeitura, na época na avenida Central, e ele descendo: “se é pra pegar edital, não precisa, tá tudo cortado…” Eu mandei ele enfiar os editais em determinado lugar, fui pra casa, escrevi um editorial de capa e rompi mesmo. Esse rompimento o que causou? Eu fui levar o jornal na gráfica Andréia: “Olha, eu sou líder do governo tu não pode mais rodar o jornal aqui…” Eu encontrei com o Jonas Ramos Martins, presidente do MDB, e ele falou: “vamos dar um jeito nisso”. [Fez as pazes com o Meirinho?] Não, não fiz. [O que publicavas no rodapé do jornal?] “Quando alguém se torna tirano de uma cidade que sempre foi livre, deve preparar-se para ser destruído por ela…” Era Maquiavel. Eles cuspiam fogo.

“Ano que vem Balneário Camboriú vai ser transformada num canteiro de obras”

Como era fazer jornal antes da internet?

Pepa: Um exemplo: eu fundei o primeiro jornal diário de Balneário Camboriú. O evento foi no hotel Marambaia. Nosso amigo, o Mazoca, Osmar Nunes Filho, cedeu o espaço. Aquilo foi uma coragem, pô. Eu montei uma equipe: o Ivan, do Trapiche de Cabeçudas, o João Souza fotógrafo, a Marta Vizzotto. O que tinha que fazer? Tinha que “pestapar”. Colava na página letrinha por letrinha, montar o jornal, botar embaixo do braço, e ir para Blumenau, no Jornal de Santa Catarina, numa época que não tinha celular e se primava pelas notícias locais. A única coisa que eu aprendi nessas andanças é que não podia faltar horóscopo. Aí eu copiava.

Por quantos veículos você passou? Sempre jornalista ou exerceu outras funções?

Pepa: Aqui, no DIARINHO, eu cheguei a ter o Blog do Pepa também. Mas também vendi com a dona Aderci. O que houve nos meus jornais em Balneário Camboriú. Pessoal chegava, ia trabalhar, sabiam os meus canais e abriam um jornal. Hoje é meu amigo, mas o Molina fez um caderno de turismo, vendia em dólar, mas passou um tempinho e ele abriu o dele também. [Antes de reativar o JBC em 87, conta a história do jornal que tu fez para derrubar o Pavan..] Não, esse foi quando eu reativei o JBC. [Foi o jornal do Carlos Humberto, pô…] Sim, o Jornal da Cidade. [O Jornal da Cidade foi um projeto da oposição que dominava BC e perderam pro Pavan e queriam derrubá-lo…] O JBC, numa época, eu tinha vendido pro Osvaldo Martins, dono da rádio Camboriú. Eu peguei o dinheiro e fui passar o carnaval no Rio de Janeiro, na Marquês de Sapucaí, com o Nelson Nitz, com o Carlos Humberto, o Sérgio Lorenzato, que faleceu também. O JBC estava com o Osvaldo Martins. Estava o Carlos Alberto Pereira, presidente do Sinduscon, e um terceiro que era lá de Passo Fundo, o Jorginho Bordamar. Abrimos o jornal para eles, eu assinei. [O jornal foi criado para derrubar o Pavan e por quê?] O que eles alegavam: era para eles se defenderem. O Pavan mandou passar a fiscalização duas, três vezes por semanas nas obras deles… Até que eles tiveram que abrir as pernas.

“Pavan entrou ali, era o churrasqueiro, era isso, era aquilo, mas ele soube escolher o secretariado. Ele batia no peito. O IPTU cresceu…”

Como surgiu o blog do Pepa e como se mantém?

Pepa: Eu, numa determinada época, comecei a fazer assessoria de imprensa. Eu fiz na eleição do Rubens Spernau. Eu fiz pra Paulinha. Eu tava fazendo assessoria na Assembleia pro Dado Cherem. O Dado falou assim: “tu vai lá pra Bombinhas?”. Eu botei fé, sabe? Me chamaram uma noite, me mostraram um jornal que a Folha Evangélica tinha feito metendo o pau na Paulinha. […] “Pepa, vem cá e quanto é que tu vais querer?” Sabe o que eu falei? “Se ganhar a eleição, me paga. Se não ganhar, não precisa me pagar nada”. O Derli me ajudou e elegemos a Paulinha. Eu fiquei lá três meses. Ela não acreditou que eu pedi demissão. [Por que tu pediu demissão?] O povo lá é muito bairrista. Eles não admitiam eu estar lá. A gente sentia as facadas pelas costas. Voltando para o meu blog. Eu fiz assessoria para o Carlos Humberto também. Ele se uniu com o Fabrício e se elegeram. Ele saiu a deputado e eu fiquei com ele. Acabou a eleição. Eu nem vou falar. Eles têm muito dinheiro e eu fiquei chateado. Final do ano me pagaram até aquele dia da eleição, sabe? Pô, eu fiquei puto da vida. Eu não preciso de esmola. Podia ter dado 13º… Eu peguei e falei: “vou me aposentar”. E saiu a minha aposentadoria retroativa logo em seguida. Eu fui para São Paulo. [Torrou tudo…] Nem tudo. Eu tô lá em São Paulo, me liga o Paulinho, prefeito de Bombinhas. Ele cumpriu tudo comigo até o final do mandato. Respeito ele. Eu peguei e falei: agora chega, eu vou falar o que eu quero. Abri o blog do Pepa. [E pra monetizar?] Eu tenho que correr atrás. Eu faço muito, não vejo erro, tenho umas pessoas que eu peço uma colaboração para o blog, porque muita gente não quer estar mais botando anúncio…

Você sempre teve uma ligação forte com a política: Pavan, CH, Paulinha, Paulinho, o Castro também….

Pepa: Na eleição do Pavan, era o Pavan, o Nelson e o Alberto Pereira. Ali entrou o Schultz e depois o Pavan. Quando eu cheguei o Schultz estava saindo. As avenidas todas esburacadas, mas ele teve um mérito. O saneamento existe muito por causa dele. Outra história que guardo na memória é do Dalmo Vieira, que eu acho bacana… Eu era muito amigo do Aducci Correia, o dono da banca Ponto Chic, e ele vivia reclamando do Dalmo. Ele falou: “vai lá pra mim, oferece, vê quanto é que ele quer…” Um dia eu tomei coragem. “Dalmo, posso falar contigo…” Criei coragem e falei. Ele deu risada. Ele falou: “Paulinho, se eu pegar dinheiro, eu paro de dar as notícias sobre o jogo do bicho. Eu ganho muito mais vendendo jornal… Eu não quero. Diz para o Aducci que não preciso do dinheiro dele”. Outra coisa, aproveitar para cumprimentar o DIARINHO pelo Blog do Magru, tenho lido, parabéns… [Você chegou a trabalhar com o Pavan?] Não. [E com o Castro?] Ele saiu mal do governo porque a diferença dos câmbios, entrou o Real e as prefeituras se danaram. O Castro também criou o Caic, no bairro dos Municípios. A Apae ele criou e várias escolas. O Castro e o Rubens Spernau foram os que mais criaram escolas em Balneário Camboriú. 

“Eu admiro a Juliana e o Índio”

Qual foi o prefeito que mais contribuiu para o desenvolvimento de Balneário Camboriú?

Pepa: É inegável que foi o Leonel Pavan. Ele entrou ali, era o churrasqueiro, era isso, era aquilo, mas ele soube escolher o secretariado. Ele batia no peito. O IPTU cresceu… A Terceira avenida dizem que foi o Meirinho, mas quem alargou? A Quarta avenida, foi o Leonel Pavan. E outras infinitas coisas… [O turismo também foi Pavan?] Não, ali tinha Luiz Carlos Chedid que ficava no turismo. Ele criou a Camboriú Tour, mas só teve projeto problema… Foi o nosso amigo Mazoca, esse foi da Santa & Bela Catarina, esteve junto com o Noemi Cruz. Não teve até hoje um secretário de Turismo como o Mazoca. O Geninho Goés?! Você vai me desculpar… [O Geninho é cria do Mazoca. Teve uma época que BC tinha dois diplomados em turismo: o Mazoca e o Geninho..] Esse que tá lá atualmente, eu achei que ele ia, mas só no início. Ele tem uma turma ruim lá também. O Laurindo, por favor. O Laurindo eu falei no ano passado para fazer o festival de blues. Ele não sabia a diferença do blues pro jazz, porque o Bola gosta do jazz, e que ele faria um sertanejo. Acabou-se fazendo o quê? Ana Castela. É merecido, né? O perfil do turista hoje é desfile de tatuagens, de botox e Ana Castela.

Como era a sua relação com o Piriquito?

Pepa: Boa. Eu na época, como era assessor do Dado Cherem, [que perdeu pro Piriquito], eu castigava bastante o Piriquito, até que eu tive uma surpresa. Eu fui assessor do Fabrício também, quando o Fabrício foi deputado federal, ele foi nomeado. [Na época do impeachment da presidente Dilma…] Até que ele apareceu lá no julgamento… [Foi orientação tua?] Não, não, eu já estava fora. Eu tenho um grande amigo, o Rudis Cabral. O Rudis falava: “Pepa, por que que tu não sai do Fabrício, vai pro Carlos Humberto…” [Mas o que o Piriquito tem a ver com isso?] O Fabrício era deputado federal, ele foi fazer uma visita ao Piriquito e falou “tu vais junto comigo?”. Eu: “vou, mas o que eu já falei mal desse cara…” Entrei na sala, o Piriquito veio rindo: “Pepa, só falta tu trabalhar pra mim agora…”. Numa boa, me deu um abraço. Quando ele abriu o food park, eu comecei a frequentar e batemos bons papos.

Quais foram os problemas que cresceram com BC?

Pepa: Um problema que cresceu, mas que tá sendo resolvido por uma pessoa supercompetente da Emasa, o Auri Pavoni. O Auri Pavoni é um cara bem inteligente. [O esgoto é o maior problema?] Eu acho que esse é um problema, mas é porque teve na mão de um Douglas, de um desesperado, que não entendia de nada. Vai me desculpar: Douglas Bebber. Ele e o Fabrício tinham um projeto ali incrível, muito sacana, foi parar numa CPI. A Juliana ainda deve, porque ela disse que ia abrir a caixa de Pandora, e eu aguardo por isso. Porque eu não engulo. Dizem que era a turma de Curitiba… Não sei se eu posso falar, vocês não me perguntaram, mas eu acho que é pertinente falar. Quem traiu quem? Carlos Humberto ou Fabrício de Oliveira? O deputado estadual, ele foi guloso. Se elegeu, foi no programa do Tigrão e falou que ia se eleger prefeito, que ia mandar a turma de Curitiba embora. Espera se eleger. A pressão foi grande por parte do pessoal de Curitiba. Fabrício foi, na outra semana no Tigrão e disse que ele não era o candidato dele. Agora me pergunto, todo dia, e se ele se reeleger deputado, daqui a dois anos, quem será o candidato a prefeito? [Fabrício escolheu o jornalista Peeter Grando, que faz um excelente trabalho jornalístico, pra ser candidato a prefeito. Você acha que ele errou na escolha e que isso pode custar a sequência da carreira política dele?] Totalmente. Eu fui numa entrevista lá na TV Panorama, às vésperas da eleição, e eu falei: o Peeter, por favor, não tinha condições nenhuma.

“O perfil do turista hoje é desfile de tatuagens, de botox e Ana Castela” 

Como você vê o primeiro ano da prefeita Juliana? 

Pepa: Eu admiro a Juliana e o Índio. Tudo é questionado, nada é perfeito, entendeu? Às vezes, quando eu vejo alguma coisa que envolve o Ministério Público, me preocupo, que eu não desejo isso pra eles, eles não merecem, porque eles estão dirigindo com sabedoria e procurando o bem da cidade. Assim como o Carlos Humberto Silva, do Planejamento. Eles fizeram o plano diretor e o microzoneamento, coisa importante pro município. O ano que vem é que vai dar o resultado. O ano que vem Balneário Camboriú vai ser transformada num canteiro de obras.

Fonte: Diarinho

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