Matheus Amaral foi descoberto pela escolinha de iniciação esportiva da Fundação Municipal de Esportes
Há quase dez anos, na Pista de Atletismo do Bairro das Nações, iniciou a história de Matheus Amaral, hoje com 23 anos, com o paradesporto da Fundação Municipal de Esportes (FME) de Balneário Camboriú. Nascido em Porto Alegre (RS), o atleta se mudou com a família para Santa Catarina depois de receber uma proposta para abrir um salão de beleza. Quando o sonho não deu certo, o esporte entrou em cena e transformou a vida do jovem, que possui uma deficiência de má-formação do membro superior esquerdo.
Foi na pista da Rua Libéria, onde costumava jogar rugby com um amigo, que o treinador Caike Rovigo identificou seu potencial e lhe apresentou o atletismo. Hoje, o atleta compete nas provas de 100 e 200 metros, na Classe T47 (destinada a atletas com deficiência nos membros superiores, como amputação ou deficiência abaixo do cotovelo ou do punho).
Sua participação em competições começou nos Jogos Estudantis de Balneário Camboriú (JEBC) e Jogos Abertos Paradesportivos de Santa Catarina (Parajasc). Aos poucos, o desempenho nos Jogos Estudantis contribuiu para sua trajetória no atletismo, ampliando seu envolvimento com a modalidade. Com o passar do tempo, Matheus passou a se dedicar cada vez mais e conquistou o auxílio do Bolsa Atleta.
“Eu sou grato à Fundação Municipal de Esportes por isso. Minha família estava passando por uma necessidade extrema. Meu pai e minha mãe estavam desempregados, mas lutavam com todas as forças para não deixar faltar comida na mesa para eu e meu irmão. Se hoje me perguntarem como meus pais faziam isso, eu sinceramente não sei. Foi pura mágica de pai e mãe. Nunca vou esquecer os três meses em 2018, nos quais vivemos um aperto profundo, sobrevivendo exclusivamente com a minha bolsa”.
Em meio à dificuldade, a única certeza de Matheus era o atletismo, estar na pista treinando e evoluindo. “Esse era o meu combustível. Eu sabia que não podia parar, porque, de certa forma, a minha família precisava de mim”, disse.
Sua trajetória também é marcada por uma história contada pela mãe, Lidiane do Amaral. Nos primeiros meses de vida do filho, ela sonhou que ele participaria das Paralimpíadas, que aconteciam na época do nascimento de Matheus. Anos depois, foi preciso mudar de estado para que esse sonho começasse a se aproximar da realidade. Hoje, Matheus segue treinando, buscando evolução diária e se dedicando para que um dia possa realizar o sonho de sua mãe e, de fato, participar de uma Paralimpíada.
O atleta está prestes a completar 10 anos de carreira no esporte. Ao longo da trajetória, tornou-se campeão regional, municipal e estadual nos 100m e 200m, campeão brasileiro no salto em distância e segue batendo recordes. “Só tenho gratidão ao esporte, ao meu técnico e à FME. Sem eles, não sei onde estaria. Teve vezes em que fui para competições sem ter um real no bolso para comprar um lanche, mas sempre surgiram pessoas boas no meu caminho para me ajudar, me apoiar e me direcionar para o melhor”, comentou.
“O esporte molda e salva vidas. Através dele, conquistei bens, ingressei na faculdade e amadureci. Nesses 10 anos, houve altos e baixos, mas a mensagem que deixo é: não desista. Se é isso o que você realmente quer, persista. Vai ter dias em que você não vai querer ir para a pista, mas tenha disciplina. A gente planta hoje para colher amanhã, e a hora da colheita sempre chega”, completou o atleta.
Matheus destaca a sua gratidão e a importância do Bolsa Atleta em sua vida. Conforme o velocista, o auxílio deu sustento, dignidade e esperança para a família.
“Sou grato por tudo o que a Fundação de Esportes me proporcionou, pelas viagens, hospedagens e estruturas pagas. Sem isso, jamais teríamos condições. Por isso é importante que o incentivo aos atletas continue aumentando e se adequando. Há muitos talentos incríveis, tanto no convencional quanto no paralímpico. É aqui da pista que saem os verdadeiros campeões que levam o nome do município, do estado e do país para o mundo”, comentou. “O esporte de Balneário Camboriú salvou a minha vida. Esse foi apenas o prólogo, pois o grande ato ainda está por vir”.
Porta de entrada
O treinador da FME, Caike Rovigo, relata que, desde os primeiros treinos de Matheus, já era possível perceber seu potencial e sabia que, com trabalho, dedicação e orientação, os dois poderiam construir uma bela trajetória dentro do atletismo. Além de desenvolver a velocidade, trabalharam também a técnica, a preparação física, a evolução individual e, principalmente, a construção de uma mentalidade competitiva.
“Acompanhar sua evolução ao longo dos anos é motivo de muito orgulho. Ver aquele menino que chegou à escolinha aos 13 anos se transformar em um atleta de alto rendimento, figurando hoje entre os oito melhores atletas paralímpicos do Brasil na prova dos 100 metros rasos, mostra a importância de um trabalho construído com paciência, planejamento e continuidade. Como treinador, acredito que resultados como esse não acontecem de um dia para o outro; são fruto de uma caminhada feita de muitos treinos, ajustes, aprendizados, superação de dificuldades e confiança no processo. Meu papel sempre foi acreditar no potencial do Matheus, ajudá-lo a evoluir e oferecer as condições necessárias para que ele pudesse buscar sua melhor versão dentro das pistas”.
O treinador destaca, ainda, que o objetivo da escolinha da FME é oferecer às crianças e aos adolescentes com deficiência a oportunidade de praticar esportes, aprender os fundamentos de uma modalidade e desenvolver habilidades físicas, sociais e esportivas. No contexto do atletismo, a escolinha funciona como a porta de entrada para o esporte, permitindo que os jovens aprendam as técnicas das provas, desenvolvam suas capacidades físicas e, quando demonstram interesse e potencial, possam avançar para grupos de treinamento e rendimento.
“A escolinha representa muito mais do que ensinar um esporte; é descobrir talentos, formar atletas, promover inclusão e criar oportunidades para que crianças e adolescentes com deficiência construam seu futuro por meio do esporte.”
Bolsa Atleta em Balneário Camboriú
O programa tem como objetivo apoiar atletas de alto rendimento na preparação e participação em competições oficiais. Reestruturado pela Lei nº 4.081/2025, o Bolsa Atleta prevê o pagamento de 12 parcelas aos contemplados, garantindo suporte financeiro contínuo ao longo do ano.
O Edital 002/2026 contempla atletas que representam o município em competições oficiais de âmbito estadual, nacional e internacional. O investimento é de R$ 1,6 milhão, destinado às modalidades que integram o programa de rendimento da Fundação Catarinense de Esporte (Fesporte).
Já o Edital 003/2026 atende atletas de modalidades que não fazem parte do programa oficial da Fesporte, com investimento de R$ 400 mil.
Informações Adicionais:
Fundação Municipal de Esportes
(47) 3267-7086
Secretaria Municipal de Comunicação
Estagiária de Jornalismo: Alice Janz
Foto: Divulgação PMBC
(47) 3267-7022


GIPHY App Key not set. Please check settings