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Adultização Infantil: o alerta de Felca e os números que o Brasil não pode ignorar

Por Paulinha

Na semana passada, o influenciador Felca sacudiu as redes sociais e o debate público com o vídeo “adultização”. Em menos de quatro dias, sua denúncia ultrapassou 20 milhões de visualizações, expondo casos reais de sexualização precoce e exploração de crianças em busca de engajamento e lucro. Felca apresentou episódios de meninas menores de idade, que tiveram sua imagem explorada por familiares ou produtores de conteúdo. A repercussão foi imediata: perfis foram derrubados, o Ministério Público abriu investigações e 17 projetos de lei contra a adultização infantil foram apresentados no Congresso na mesma semana. Como disse a autora Glória Perez, em apoio: “Felca denuncia a rede de pedofilia e exposição infantil que se formou na web. Um vídeo forte e mais do que necessário.”

O fenômeno da adultização infantil ocorre quando crianças são expostas precocemente a responsabilidades, conteúdos e experiências próprias da vida adulta. Essa “infância abreviada” compromete o desenvolvimento emocional, cognitivo e social dos nossos pequenos.
No Brasil, segundo o TIC Kids Online Brasil (2022), cerca de 78% das crianças e adolescentes conectados acessam redes sociais muitas vezes sem supervisão, e 84% consomem vídeos e séries, expondo-se a conteúdos inadequados. A pressão por comportamentos sexualizados, moda adulta e estética também está em alta, prejudicando a autoestima e distorcendo a percepção de identidade.
A erotização precoce não é um detalhe: ela eleva o risco de abuso sexual. Mesmo com o silêncio que ainda paira sobre esses crimes, os números chocam: são cerca de 130 casos de violência sexual contra crianças e adolescentes por dia!

O impacto emocional é devastador. Um estudo da USP, em parceria com a Universidade de Bath (Reino Unido), revelou que traumas vividos até os 18 anos estão associados a 30% dos diagnósticos psiquiátricos na adolescência, como ansiedade, depressão e transtornos de conduta.
Em Santa Catarina, enfrentamos esse desafio com políticas concretas e interdisciplinares. O Integra (Comitê Integrado de Paz e Segurança nas Escolas) reúne segurança pública, educação e sociedade civil para transformar escolas em espaços de acolhimento, proteção e prevenção. Criamos protocolos claros para agir diante de situações de vulnerabilidade, violência ou risco emocional.

No parlamento, tenho trazido esse tema de forma recorrente e sistemática. Exemplos são os projetos de lei que garantem a presença de profissionais de psicologia e assistência social de forma permanente nas escolas, com foco na identificação de sinais de violência ou pressões indevidas; e outro, que defende a criação de campanhas educativas permanentes sobre uso seguro da internet, mediação de conflitos e prevenção da sexualização precoce.

Adultizar nossas crianças é comprometer irremediavelmente o seu futuro. É permitir que a infância seja atropelada pelo consumo, pelas redes sociais e por realidades emocionais para as quais elas não estão preparadas. Precisamos restaurar o tempo da infância como espaço de brincadeira, afeto e formação.
Essa é uma luta que precisa unir mães, pais, educadores, comunicadores, parlamentares e toda a sociedade. A batalha contra a adultização é urgente e só será vencida com políticas públicas reais, integradas e inspiradas no afeto e na proteção. Não é só sobre proteger crianças: é sobre garantir o futuro de toda a nossa sociedade. E você pode dar a sua contribuição para mudar essa realidade. Pare pra pensar um pouquinho. Já está mais do que na hora de canalizarmos toda essa energia da polarização para causas que realmente importam.

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