Com a proximidade das festas de fim de ano, milhões de brasileiros recebem o 13º salário, um reforço no orçamento que pode representar não apenas alívio imediato, mas também uma oportunidade de reorganizar as finanças. Para orientar os trabalhadores sobre como utilizar esse recurso de forma estratégica, a gerente de Produtos e Negócios da Acredicoop, Rosana Elias, explica que o primeiro passo é enxergar o benefício como uma ferramenta de planejamento. “O 13º não deve ser encarado apenas como um dinheiro extra, mas como uma chance de colocar a vida financeira em ordem.
Pequenos ajustes, quando feitos de maneira consciente, podem gerar um impacto enorme na tranquilidade do próximo ano”, afirma.
Rosana lembra que o 13º é um direito de todos os trabalhadores com carteira assinada, além de aposentados e pensionistas. O valor é calculado com base na remuneração bruta e, para quem não trabalhou o ano inteiro, é pago proporcionalmente aos meses contratados. Neste ano, a primeira parcela foi paga até 28 de novembro, já que o dia 30 caiu em um domingo, enquanto a segunda deve ser depositada até 20 de dezembro.
Segundo Rosana, antes de definir o destino do dinheiro, é fundamental organizar toda a vida financeira. Isso inclui listar dívidas, gastos fixos, despesas previstas para janeiro e metas familiares. “Quando você tem o panorama completo, toma decisões mais inteligentes. Sem isso, o risco de gastar sem necessidade aumenta, e junto com ele, o arrependimento”, destaca.
Ao falar sobre prioridades, Rosana é direta: dívidas com juros altos devem ser o foco principal. Cartão de crédito, cheque especial e atrasos bancários são os maiores vilões do orçamento. “Essas dívidas corroem o bolso mês a mês. Usar o 13º para quitá-las é uma das decisões mais inteligentes que uma pessoa pode tomar”, ressalta. Ela lembra que dezembro costuma ser favorável para negociações, já que muitas instituições oferecem descontos para pagamentos à vista.
Além do impacto no orçamento, quitar dívidas eliminará juros abusivos no futuro, trazendo benefícios emocionais, reduzindo a ansiedade e devolvendo a sensação de controle. “É um verdadeiro alívio. Quando a pessoa quita suas maiores dívidas e organiza as contas, começa o ano mais leve e com mais clareza sobre suas prioridades.”
É importante também planejar as despesas de janeiro, período tradicionalmente pesado por conta de IPTU, IPVA, matrícula escolar e impostos. Destinar parte do 13º para essas obrigações evita o risco de novo endividamento. Outra estratégia é investir o valor temporariamente em produtos de alta liquidez, permitindo que o dinheiro renda até a data de pagamento das contas.
Já para aqueles que estão com as contas em dia, Rosana destaca que o 13º pode ser o início ideal para quem deseja montar uma reserva financeira. O recomendado é acumular entre seis e doze meses do custo de vida básico, mas a gerente lembra que começar com pouco é melhor do que não começar. Para quem já tem reserva e mantém as contas em dia, o 13º pode ser direcionado a investimentos.
Outro ponto importante é a importância de planejar e se programar para aproveitar as festas de fim de ano sem comprometer o orçamento. Para isso, recomenda definir limites para presentes e confraternizações, evitar compras impulsivas, pesquisar preços e comparar opções. “O problema não é celebrar, e sim ultrapassar os limites do orçamento. Quando planejamos, conseguimos desfrutar sem comprometer o futuro”, orienta Rosana.
Para ela, conversar sobre finanças em família é um passo essencial. Decisões compartilhadas evitam conflitos, ajudam a alinhar expectativas e tornam o uso do dinheiro mais consciente.
Dicas práticas para usar bem o 13º salário
- Pague primeiro as dívidas com juros altos , como cartão de crédito e cheque especial.
- Negocie descontos à vista , aproveitando condições especiais de fim de ano.
- Reserve parte do valor para despesas de janeiro , como IPTU, IPVA e matrícula escolar.
- E vite compras por impulso : pesquise preços, faça lista de prioridades e dê um tempo antes de comprar.
- Comece uma reserva de emergência , ainda que com um valor pequeno.
- Invista o que sobrar em produtos de baixo risco e boa liquidez.
- Defina um limite para gastos com festas e presentes.
- Converse com a família sobre o orçamento , alinhando prioridades e expectativas.



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