Nem a chuva que caiu nas primeiras horas da manhã de sábado (7) foi capaz de diminuir o entusiasmo dos participantes da Travessia em Mar Aberto promovida pela Academia Estação Azul, na Praia de Cabeçudas, em Itajaí. Com largada logo após o amanhecer, o evento reuniu mais de 100 nadadores de todas as idades — entre atletas experientes e iniciantes — em uma manhã marcada por desafios, emoção e espírito de comunidade. As atividades começaram por volta das 5h30, com um alongamento coletivo. Logo depois, os primeiros nadadores entraram no mar para iniciar a travessia.
Devido as condições do mar e da chuva no momento da largada, a organização adaptou o percurso original. Foi montado um circuito de aproximadamente 500 metros, repetido até completar os 3 quilômetros previstos para os adultos. As crianças realizaram um trajeto menor, adequado à idade e ao nível de experiência.
Para garantir a segurança de todos, muitos profissionais estavam envolvidos diretamente na orientação dos nadadores em alto-mar, incluindo guarda-vidas, além de equipes de apoio com caiaques, pranchas de stand up e embarcação de suporte.
Segundo o empresário e proprietário da Estação Azul, Marcos Tiago, a estrutura do evento vem sendo aprimorada a cada edição. “Cada evento que a gente realiza melhora a estrutura, a quantidade de equipamentos e a equipe de segurança. Nosso principal objetivo é garantir que todos tenham condições de nadar com tranquilidade e segurança, além de proporcionar uma experiência diferente para os nossos alunos e a comunidade”, explica.
Para Marcos, mesmo com o tempo instável, a edição foi um sucesso. “Tivemos que reestruturar o trajeto para deixá-lo mais seguro, mas no fim todos conseguiram nadar. O mar com mais adversidade acabou tornando o desafio ainda maior e especial”, conta.
Depois da travessia, os participantes ainda puderam aproveitar um café da manhã coletivo e um momento de recuperação com banheira de gelo para os nadadores.
Histórias de superação dentro da água
Entre os participantes estava a nutricionista Nanda Lima, que teve na travessia sua primeira experiência em mar aberto. A história dela emocionou quem estava presente. Há cerca de dois meses, ela perdeu o marido, que morreu afogado no mar.
Hoje aluna da Estação Azul, Nanda decidiu enfrentar o medo e transformar a dor em superação. “Eu quase desisti por causa da chuva, mas a sensação foi surreal. Não consigo explicar em palavras. Só vivendo para entender a emoção”, relata.
Outra história marcada pela superação foi a da gerente da academia, Andréia Eleutério, que acompanhou a filha Valentina, de apenas 9 anos, durante a travessia. Para ela, o momento teve um significado ainda mais profundo: Andréia perdeu um irmão afogado quando era criança. “Ver minha filha nadando foi uma vitória para mim. Mesmo com a chuva, o dia estava lindo. Mãe não vê chuva, não vê sol, não vê nada disso. Mãe vê o filho. Eu estava ali pronta para apoiar, caso ela desistisse ou caso ela conseguisse — e ela conseguiu”, conta emocionada.
Ela destaca que a confiança na equipe da academia ajudou a tornar o momento possível.
“Como profissional eu vejo todos os dias o empenho dos professores e a segurança que eles passam. Eu sabia que ela estava nas melhores mãos”, completa.
Esporte que atravessa gerações
A travessia também reuniu famílias inteiras. Entre elas estava a nadadora Sônia Regina Cordeiro, de 63 anos, que participou do evento ao lado do filho Leonardo, de 38 anos, e do neto Eduardo, de 8 anos.
Sônia conta que a relação da família com a natação vem de décadas.
“Comecei a nadar quando meu filho tinha quatro anos. Hoje ele tem 38. Eu sempre nadei em águas abertas e já viajei para várias cidades e até países para participar de provas”, lembra.
Ela acredita que eventos como o realizado em Cabeçudas pela Academia Estação Azul, fortalecem o esporte na cidade. “Itajaí tem um potencial enorme para a natação em águas abertas. Eu treino aqui há mais de 30 anos e cada vez mais vejo grupos, atletas e projetos surgindo. É muito bonito ver tanta gente reunida pelo esporte”, afirma.
Além do esporte
Para a equipe da Estação Azul, a travessia vai além da prática esportiva. O evento já faz parte do calendário da academia e deve ter nova edição ainda este ano, provavelmente entre outubro e novembro.
Mais do que quilômetros nadados, a manhã em Cabeçudas mostrou que o esporte pode ser uma poderosa ferramenta de conexão, saúde e superação — com o mar como cenário e o nascer do sol como testemunha de histórias que vão muito além da linha de chegada.















GIPHY App Key not set. Please check settings