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Secretário Paulo Bornhausen apresenta na ACII estratégia de internacionalização de Santa Catarina

O redesenho das relações econômicas internacionais já começou, e Santa Catarina quer ocupar um lugar de protagonismo nesse novo mapa. O tema foi o centro da reunião plenária da Associação Empresarial de Itajaí (ACII), que recebeu o secretário de Estado de Articulação Internacional, Paulo Bornhausen, para apresentar aos empresários as estratégias do governo catarinense de aproximação com mercados globais e atração de investimentos.

A mensagem levada ao setor produtivo foi direta: o mundo está mudando rapidamente, e regiões que se posicionarem agora poderão capturar oportunidades históricas de crescimento. Durante a apresentação, Bornhausen detalhou as principais ações da secretaria para fortalecer a presença internacional do estado. Entre elas estão missões institucionais lideradas pelo governador Jorginho Mello, articulação com embaixadas no Brasil, formação de uma rede de embaixadores honorários de Santa Catarina em diferentes regiões do mundo e o apoio à geração de negócios internacionais.

A estratégia também inclui eventos de promoção internacional, como os chamados SC Day, realizados em centros globais de negócios como Tóquio, Nova York e Berna, além da manutenção de escritórios internacionais nos Estados Unidos e na China. Essas iniciativas fazem parte de um movimento maior de inserção global do estado, voltado a ampliar exportações, atrair investimentos e conectar empresas catarinenses a novas cadeias produtivas internacionais.

Nova lógica global

Segundo o secretário, o cenário econômico internacional vive uma profunda reorganização. Cadeias globais de produção estão sendo redesenhadas, blocos econômicos passam por realinhamentos estratégicos e novos critérios começam a orientar as relações comerciais entre países. Nesse contexto, a confiança passou a ser um fator decisivo.

Bornhausen destacou que o conceito tradicional de ESG ( ambiental, social e governança) vem sendo reinterpretado em escala global. A nova leitura incorpora também dimensões econômicas, de segurança e geopolítica, tornando a confiabilidade institucional e produtiva um dos principais filtros para parcerias e investimentos.

Esse movimento abre uma janela de oportunidade para economias consideradas estáveis, produtivas e previsíveis. É nesse ponto que Santa Catarina aparece com vantagem competitiva. Entre os diferenciais apresentados estão a logística eficiente, uma indústria diversificada, forte vocação empreendedora, mão de obra qualificada, produção agroindustrial de alto valor agregado e um ambiente de negócios considerado confiável por parceiros internacionais.

Internacionalização como estratégia de desenvolvimento

A atuação da Secretaria de Articulação Internacional busca conectar esses ativos econômicos a oportunidades externas. O trabalho inclui a aproximação entre investidores internacionais e empresas catarinenses, além da captação de financiamentos para projetos estruturantes.

Um dos exemplos citados durante o encontro foi o financiamento superior a 90 milhões de dólares do Banco Mundial para projetos de mobilidade urbana na região de Itajaí. Entre as iniciativas está a construção de um túnel que pode chegar a investimentos entre 220 e 240 milhões de dólares, considerado um dos projetos de infraestrutura mais relevantes para a mobilidade e logística regional.

Bornhausen também destacou o impacto econômico e de visibilidade internacional gerado pela passagem da The Ocean Race por Itajaí. A competição, que reúne equipes e embarcações de vários países, projeta a cidade globalmente e movimenta setores como turismo, hotelaria e serviços. “Quem veio à primeira edição e retorna anos depois percebe a evolução da cidade”, afirmou o secretário ao comentar o papel do evento como vitrine internacional para a região.

Itajaí como plataforma internacional

Para Bornhausen, Itajaí já possui características naturais de uma cidade global. A forte presença logística, o grande volume de comércio exterior e a diversidade de capital estrangeiro presente na região colocam o município em posição estratégica para ampliar conexões internacionais. Empresas com investimentos alemães, portugueses, espanhóis e italianos operam na cidade, criando um ambiente empresarial fortemente conectado com a economia global.

A proposta apresentada aos empresários foi clara: construir uma agenda internacional própria para Itajaí. Segundo o secretário, o governo estadual pode apoiar missões empresariais, abrir portas diplomáticas e facilitar conexões comerciais — desde que o setor produtivo organize suas prioridades e mercados estratégicos. “É importante que Itajaí tenha uma agenda com o mundo”, afirmou. “A partir disso, podemos ajudar a construir essas conexões.”

Para a presidente da Associação Empresarial de Itajaí, Thaísa Nascimento Corrêa, a plenária trouxe aos empresários uma visão mais clara sobre o posicionamento internacional do estado e sobre as oportunidades que podem surgir para o município. Segundo ela, o detalhamento das ações da secretaria permite que o setor produtivo compreenda melhor como se inserir nas estratégias de internacionalização.

“Quando entendemos o nível de articulação que o estado está construindo globalmente, isso amplia a nossa visão sobre o que também podemos entregar enquanto cidade e enquanto empresas”, afirmou. A dirigente destacou ainda que o encontro provocou reflexões importantes entre os empresários sobre como alinhar o desenvolvimento local às novas oportunidades internacionais. O desafio agora, segundo ela, é transformar esse entendimento em ação concreta.

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