Produtores tem suporte do Município e parceria do Sebrae/SC, Epagri e Univali, avançando no processo de Indicação Geográfica do produto
Nas regiões de Rio Novo, conhecida como Colônia Japonesa, e São Roque, os agricultores começam a se preparar para mais uma safra do aipim da terra preta, plantado em solo de turfa. Material orgânico que confere características únicas ao produto. A abertura oficial da safra é 23 de março. São 90 hectares de área plantada. A produção conta com o apoio da Secretaria Municipal de Agricultura e Expansão Urbana, que auxilia os agricultores com serviços e suporte técnico para o desenvolvimento da atividade.
Além do suporte da secretaria, o trabalho conta com a parceria estratégica do Sebrae/SC e da Epagri. O Sebrae atua na organização da governança da Cooperativa de Produtores Rurais (Cooperar), na estruturação da documentação e na elaboração do caderno de especificações técnicas para a Indicação Geográfica (IG).
A Epagri contribui na delimitação da área de produção, enquanto pesquisadores da Universidade do Vale do Itajaí (Univali) realizam os estudos laboratoriais que comprovam a singularidade do aipim da terra preta, mostrando que raiz cultivada em solo de turfa apresenta maior teor de amido, lipídeos e compostos fenólicos. Esses atributos garantem melhor qualidade de cozimento, sabor diferenciado e valor nutricional superior em comparação ao aipim produzido em solo mineral.
A previsão é concluir a documentação e enviar o pedido de IG ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) no início do segundo semestre de 2026.
“Com a união de esforços conseguimos dar passos importantes para alcançar um bom resultado. A Indicação Geográfica vai reconhecer a identidade territorial do aipim de Itajaí e agregar valor à produção local”, destaca Marcos Vinicios Moser Nascimento, gestor de Projetos do Agronegócio do Sebrae/SC.
Produto da agricultura familiar
A produção do aipim da terra preta é marcada pela agricultura familiar. O plantio e a colheita são feitos manualmente, assim como o controle de ervas daninhas, realizado por meio de capinação. Ao todo, cerca de 25 produtores participam da atividade, muitos com tradição de décadas no cultivo.
“Sou produtor há oito anos, mas meu sogro já trabalha com aipim há 35 anos. Nossa expectativa é colher 60 toneladas nesta safra, que vem se desenvolvendo muito bem graças às condições climáticas favoráveis”, afirma Tiago Etges, agricultor do bairro São Roque.
A abertura oficial da safra está prevista para o fim de março, em evento que reunirá produtores, autoridades e parceiros institucionais, celebrando o fortalecimento da agricultura familiar e a valorização de um produto que carrega história, tradição e qualidade reconhecida.
Solo de turfa
De acordo com dados da Epagri, há cinco mil anos a região onde hoje está o município de Itajaí era uma floresta. Aos poucos o oceano foi subindo e, quando estava entre três e quatro metros acima do nível atual, alagou a área.
Posteriormente o mar recuou, mas deixou um importante legado para Itajaí: as áreas de turfa. Turfa é um material de origem vegetal parcialmente decomposto, encontrado em camadas no solo, geralmente em regiões pantanosas e também sob montanhas.



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